Música de Intervenção

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Musicália

Música de Intervenção




Música de Intervenção


 

Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica
 

PETITE SUITE

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot

 

MÚSICA DE INTERVENÇÃO

 

A Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

 

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    Quando em 1762 o príncipe Paul Anton Eszterházy faleceu, sucedeu-lhe o irmão Nikolaus. Também ele melómano, veio a proporcionar a Haydn todas as condições para que viesse a afirmar-se como um dos compositores mais influentes de toda a História da Música. Porém, nem tudo foram rosas. O entusiasmo que o príncipe tinha pela música era partilhado com o gosto pela caça, pelo que os músicos da sua orquestra eram forçados a manter-se afastados das famílias durante o período do ano em que o clima era mais ameno. Instalavam-se então no Palácio Eszterháza, um gigantesco palacete de verão com mais de uma centena de quartos que pertencia à poderosa família Eszterházy, cuja linhagem aristocrática remontava à Idade Média e mantinha grande influência e prestígio durante o Império Austro-Húngaro. Estava situado numa região que hoje pertence à Hungria, nas imediações da localidade de Fertőd, a cerca de cinquenta quilómetros da cidade de Eisenstadt, e a cem de Viena, onde se achavam as duas outras «casas» em que permaneciam ao longo do ano.

 

    Em 1772 a construção do palácio era bastante recente, e o «verão» teimava em estender-se – até novembro! Compreende-se, por isso, a insatisfação dos músicos, que se mantinham ali praticamente isolados e não estavam autorizados a receber convidados durante todo aquele tempo. Foi esse o descontentamento que partilharam com o Mestre de Capela, Joseph Haydn, o superior hierárquico imediato. Em resposta, o compositor decidiu compor uma nova sinfonia para o príncipe, mas fazendo-a acompanhar de uma manifestação de protesto. Na vez de um final categórico e concludente, a sinfonia terminava inesperadamente com a retirada progressiva dos músicos. Cada um deles, uma vez terminada a sua parte, apagava a vela que iluminava a estante, pegava no instrumento e saía. O palco ficava às escuras e sem ninguém. É por isso que esta sinfonia ficou conhecida pelo nome de Sinfonia do Adeus. Presume-se que todos tenham partido para Eisenstadt ou Viena no dia seguinte.

 

Orquestra Académica Metropolitana

Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

Joseph Haydn – Sinfonia N.º 45, Sinfonia do Adeus

 

Sexta-feira, 15 de março de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

Sábado, 16 de março de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 
 

 
      
Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão
 
Joseph Haydn compôs mais de cem sinfonias. A N.º 45 foi composta em 1772 e é conhecida como Sinfonia do Adeus, o que se deve ao Adagio que interrompe inesperadamente o último andamento. Este, numa abordagem mais distraída, quase parece ser uma peça autónoma. Mas não o é. Culmina um trajeto cuidadosamente planeado que nos conduz, num plano global, da instabilidade ao repouso, da fúria à extinção, do «mais» ao «menos», com inúmeros apontamentos de perplexidade e hesitação pelo meio.

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Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons
 
As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

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O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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