Preto Sobre Preto

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Musicália

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Preto Sobre Preto
Gustav Mahler em 1898 / Fonte: Wikimedia Commons
 

A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.

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A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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O compositor Beat Furrer | Foto de David Furrer (2014)

 
PRETO SOBRE PRETO
 
As ideias apresentam-se muitas vezes por intermédio do recurso às imagens. Uma vez aí chegados, essa abstração visual pode transcender a uma dimensão sonora absolutamente indizível. Parece ter sido esse passo além que Beat Furrer, compositor suíço radicado na Áustria há longos anos, deu na obra intitulada «Nero su Nero» («Preto Sobre Preto»), a qual fez estrear na Konzerthaus de Viena em junho do ano passado. Trata-se de uma partitura orquestral que se aventura por entre as ténues gradações da cor preta, com um estilo de escrita mergulhado em sugestões de movimento difusas, delicado e eminentemente sensorial.
 
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    Havendo tantos géneros musicais, tantos propósitos atendíveis que os justificam e promovem, haverá também um número infindo de motivações que levam alguém a empenhar-se na curiosa tarefa de fazer nascer uma obra musical. A este respeito, um dos interesses que mais floresceu ao longo do último século incide sobre a oportunidade de conformar a música no âmbito estrito de uma obra artística singular, com uma constituição orgânica que lhe seja exclusiva. Então, o resultado obtido não depende tanto de constrangimentos funcionais pré-existentes, de práticas ou gostos estabelecidos, mas sobretudo das decisões criativas que são adotadas em cada momento do processo. Beat Furrer reconhece-se nesta tendência. Procura sempre em cada trabalho caminhos e soluções diferentes, assumindo radicalmente a convicção de que o desígnio de criar consiste em produzir algo inteiramente novo, quer isto dizer sem lugar à reprodução, ou sequer à recriação.

 

    Ainda assim, e apesar desta salutar inquietação, é possível identificar linhas de coerência no seu percurso, vetores técnicos e expressivos que coincidem em diferentes obras do seu catálogo e numa tradição que abrange tantos outros compositores. Diante do título «Preto Sobre Preto», questiona-se primeiro sobre uma eventual relação com a peça «Branco Sobre Branco» composta por György Ligeti em 1995. Porém, apesar da afinidade estética entre os dois músicos, trata-se aí de uma referência à utilização exclusiva das teclas brancas do piano. O título de Furrer remete para outro tipo de analogias. Desde logo, reporta ao quinteto para clarinete e cordas «Intorno al bianco» («À volta do branco»), que o próprio compôs em 2016 e com o qual esta obra partilha aspetos importantes. Poder-se-ia também lembrar a série de quadros pretos que Mark Rothko pintou nos anos 1960. De relance, parece serem superfícies pretas sólidas e robustas. No entanto, o efeito de uma contemplação prolongada revela lentamente manchas e detalhes, tons e texturas, múltiplas camadas que não se mostravam antes e que aparecem agora por entre passagens discretas, mas impressivas. O que aparentava resultar da absoluta ausência de luz e cor, começa a revelar superfícies que brilham na sombra. Convida a apreciar de perto cada detalhe, com uma perceção paciente que implica a consciência corpórea. Em «Nero su Nero» é, precisamente, retratada a paleta dos pretos, com texturas que se prolongam no tempo, repletas de nuances tímbricas e rítmicas sobre lentos glissandos que se instalam numa ambiência dolente e imersiva. Em diálogo com os matizes da cor, as gradações da luz, evoluem clusters sonoros com vagar, por entre entrelaçados difusos, como se projetassem na dimensão auditiva a experiência minimalista de fixar longamente uma tela. Os motivos repetem-se obstinadamente. Os tons sobem e descem em espirais de volume. Os rasgos mais impetuosos diluem-se numa massa indistinta que se estende sem retorno, rumo a uma suspensão do tamanho da eternidade.

 

 

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Maestro: Reinaldo Guerreiro

 

Beat Furrer Nero su Nero

 

Sexta-feira, 15 de março de 2018, Teatro Aveirense

Sábado, 16 de março de 2018, Teatro Thalia

                  
O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»

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Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica
 

PETITE SUITE

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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António Pinho Vargas | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
A ocasião da estreia de uma obra musical configura-se, necessariamente, como um momento de expectativa partilhado pelo compositor, intérpretes e público. Mais ainda tratando-se de António Pinho Vargas, uma referência incontornável do panorama cultural e artístico do pós-25 de Abril. Apresenta-se aqui a sua primeira Sinfonia, a qual chamou Subjetiva.

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