Sturm und Drang

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Musicália

Sturm und Drang




Sturm und Drang
Fagote do Século XVIII / Museu da Música de Barcelona | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os estilos musicais habitam mundividências que lhes são próprias. Identificam formas de ser e pensar. Participam na partilha comum e na dimensão introspetiva individual. Uma vez arrancados da sua origem, reinventam-se na relação com novas formas de existência. É por isso que, hoje em dia, escutar lado a lado dois concertos para fagote, separados por escassas quatro décadas no século XVIII e pelos nomes de Antonio Vivaldi e Johann Christian Bach, não é bastante para viajar no tempo. Ainda assim, permite provar um pouco do que distinguia os artifícios do barroco veneziano, conotados com os Antigos Regimes, e a «nova» simplicidade centro-europeia, de inspiração iluminista.

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«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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O pesadelo | Pintura de Johann Heinrich Füssli, 1781 | Fonte: Wikimedia Commons

 

STURM UND DRANG

 

No âmbito das artes, a racionalidade e ponderação do Iluminismo setecentista foi subitamente perturbada pelo movimento estético que se denominou «Sturm und Drang». O individualismo, a inquietação, as emoções, a dúvida, a ambiguidade, a liberdade… A expressão destas ideias por intermédio da música revelou-se como um desafio fascinante para várias gerações de músicos, começando por Johann Christian, Haydn e Mozart. Foi percursora da afetação romântica do século seguinte.
 
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    «Sturm und Drang» é a denominação de um movimento literário que despontou durante as décadas de 1760 e 1770 no universo dos estados germânicos. «Tempestade e ímpeto» é uma tradução possível desse título, emprestado de um livro de Friedrich Klinger, se bem que Goethe e Schiller sejam os escritores mais conhecidos entre os que lhe aparecem associados. Em grosso modo, consiste na proeminência da emoção face à razão, abrindo portas a um novo subjetivismo que se contrapunha à dimensão excessivamente formal do neoclassicismo que chegava de França, então um país extraordinariamente influente naquela região da Europa. Reflete a consciência crítica no seio de uma classe média emergente, vislumbrando-se como alternativa à rigidez postural da aristocracia. Havia, portanto, uma dimensão política associada. Proclamava-se o poder da emoção contra o primado da razão, duas facetas que, paradoxalmente, se complementavam nos ideais iluministas. O drama e o despojamento expressivo eram deliberadamente exacerbados com o intuito de despertar a emancipação do indivíduo, por intermédio do sentimento próprio. Inevitavelmente, as outras artes também se associaram. Na música, destacaram-se compositores como Johann Christian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Nicholas Kraemer

 

Sábado, 16 de fevereiro de 2018, Museu Nacional de Arte Antigal

 

J. C. Bach Sinfonia em Sol Menor, Op. 6/6
W. A. Mozart Sinfonia N.º 25, KV 183

 

 
      
Johann Christian Bach em 1776 | Pintura de Thomas Gainsborough | Fonte: Wikimedia Commons
 
Apesar da unanimidade que hoje existe em torno do nome de Johann Sebastian Bach, entre os músicos da família Bach, foi o seu filho Johann Christian quem teve maior reconhecimento em tempo de vida. A sua obra testemunha a transição que, em matéria de música, conduziu o Estilo Barroco Tardio, coroado por figuras como seu pai e Vivaldi, ao Classicismo vienense. Para lá da afinidade entre as sinfonias de J. C. Bach e as primeiras de Mozart, o ímpeto expressivo que se reconhece em obras como a última sinfonia do caderno Op. 6 projeta-se nas sinfonias de maior fôlego do músico de Salzburgo, tais como a N.º 25, celebrizada em 1984 no filme de Miloš Forman.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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