J. C. Bach e W. A. Mozart

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Musicália

J. C. Bach e W. A. Mozart




J. C. Bach e W. A. Mozart
Fagote do Século XVIII / Museu da Música de Barcelona | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os estilos musicais habitam mundividências que lhes são próprias. Identificam formas de ser e pensar. Participam na partilha comum e na dimensão introspetiva individual. Uma vez arrancados da sua origem, reinventam-se na relação com novas formas de existência. É por isso que, hoje em dia, escutar lado a lado dois concertos para fagote, separados por escassas quatro décadas no século XVIII e pelos nomes de Antonio Vivaldi e Johann Christian Bach, não é bastante para viajar no tempo. Ainda assim, permite provar um pouco do que distinguia os artifícios do barroco veneziano, conotados com os Antigos Regimes, e a «nova» simplicidade centro-europeia, de inspiração iluminista.

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«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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Pôr-do-sol | Fonte: www.pxhere.com
 
Richard Strauss compôs mais de duzentas. Ao fim das «Quatro Últimas Canções» conseguiu um silêncio e uma serenidade de encher o peito. Foi em 1948, aos 84 anos de idade, que completou este breve ciclo temático onde enfrentou com despudor o assunto da Morte, evocando-a na sua expressão mais sublime, como estágio da existência propício a uma reflexão contemplativa sobre a própria Vida. A entoação dolente da voz soprano deseja com ardor o retorno da primavera. Projeta a fadiga e o descanso na descrição de um jardim outonal. Mergulha num sono eterno e livre, diante de um céu que escurece. Diz adeus às cotovias e ao perfume do ar, numa paz profunda e tranquila.

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Johann Christian Bach em 1776 | Pintura de Thomas Gainsborough | Fonte: Wikimedia Commons


J. C. BACH E W. A. MOZART

 

Apesar da unanimidade que hoje existe em torno do nome de Johann Sebastian Bach, entre os músicos da família Bach, foi o seu filho Johann Christian quem teve maior reconhecimento em tempo de vida. A sua obra testemunha a transição que, em matéria de música, conduziu o Estilo Barroco Tardio, coroado por figuras como seu pai e Vivaldi, ao Classicismo vienense. Para lá da afinidade entre as sinfonias de J. C. Bach e as primeiras de Mozart, o ímpeto expressivo que se reconhece em obras como a última sinfonia do caderno Op. 6 projeta-se nas sinfonias de maior fôlego do músico de Salzburgo, tais como a N.º 25, celebrizada em 1984 no filme de Miloš Forman.
 
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    O filho mais novo do segundo casamento de Johann Sebastian Bach viveu com o pai até aos quinze anos de idade. Johann Christian foi depois para Berlim, onde prosseguiu a formação durante cerca de cinco anos com o meio irmão Carl Philipp Emanuel. O período de sete anos que se seguiu foi passado em Itália, imerso no universo operático. Tal experiência valeu-lhe a ida para Londres, em 1762, onde permaneceu as duas últimas décadas da sua vida – há, por isso, quem lhe chame «O Bach inglês». A projeção internacional da sua música consolidou-se nesse período, com a publicação de sinfonias que assim chegavam às principais cortes europeias. São conhecidas cerca de vinte sinfonias assinadas por J. C. Bach, quase todas constituídas por três andamentos, uma reminiscência das aberturas de ópera e dos concertos italianos. Foi, precisamente, essa influência italiana que trouxe ao seu estilo orquestral o lirismo operático, a articulação de elementos dramáticos contrastantes, e uma grande clareza formal. O despojamento emocional do sinfonismo germânico é devedor dessa influência. E foi assimilado por Mozart.

 

    J. C. Bach e W. A. Mozart conheceram-se em 1775, quando este, aos oito anos de idade, se encontrava em digressão por Londres na companhia do pai. A empatia foi imediata e revelou-se determinante para o jovem músico. Vislumbra-se na última das sinfonias Op. 6, as quais terão sido compostas durante os primeiros anos de Londres e estreadas em concertos públicos realizados no Hanover Square Rooms. No conjunto, são bom exemplo do estilo Galante. Porém, a N.º 6 revela uma dramaticidade que nos introduz o estilo Sturm und Drang. É atravessada por contrastes dinâmicos e transições bruscas que reconhecemos nalgumas sinfonias de Mozart mais tardias, como acontece na Sinfonia N.º 25.

 

    Esta sinfonia foi composta por Mozart quando tinha dezassete anos de idade, pouco tempo depois de regressar de uma outra digressão, por Itália. Distingue-se, desde logo, pela agitação dos ritmos sincopados dos primeiros compassos. Mas também pela exaltação que se estende ao longo de todo o primeiro andamento, o que lembra uma vez mais a influência da ópera, pela inquietação com que as ideias se precipitam umas sobre as outras, pelas melodias contrastantes que se permitem deambular entre a luz e as trevas, como num enredo dramatúrgico. Após a tempestade vem a calmaria, na ambígua tranquilidade do segundo andamento. Depois um Minueto carregado de cromatismos e, por fim, um andamento conclusivo exuberante.

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Nicholas Kraemer

 

Sábado, 16 de fevereiro de 2018, Museu Nacional de Arte Antigal

 

J. C. Bach Sinfonia em Sol Menor, Op. 6/6
W. A. Mozart Sinfonia N.º 25, KV 183

 

 
      
O pesadelo | Pintura de Johann Heinrich Füssli, 1781 | Fonte: Wikimedia Commons
 
No âmbito das artes, a racionalidade e ponderação do Iluminismo setecentista foi subitamente perturbada pelo movimento estético que se denominou «Sturm und Drang». O individualismo, a inquietação, as emoções, a dúvida, a ambiguidade, a liberdade… A expressão destas ideias por intermédio da música revelou-se como um desafio fascinante para várias gerações de músicos, começando por Johann Christian, Haydn e Mozart. Foi percursora da afetação romântica do século seguinte.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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Mahler em 1898 / Fonte:Wikimedia Commons
 

A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.

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