Sinfonia à Juventude

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Musicália

Sinfonia à Juventude




Sinfonia à Juventude
Retrato póstumo de W. A. Mozart | Pintura de Barbara Krafft (1819) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Natural de Salzburgo, W. A. Mozart passou grande parte da infância e adolescência a viajar pela Europa. Já na última década de vida, fixou-se em Viena. Resta, pelo meio, um período de sete anos em que trabalhou efetivamente na sua cidade, coincidindo com a governação do Arcebispo Colloredo. Essa coexistência nunca foi fácil, mas os primeiros anos revelaram-se auspiciosos. A Sinfonia N.º 28 e o Concerto para Fagote datam desse altura. São duas obras compostas em 1774, uma fase que maturou um estilo de escrita que se projetaria mais tarde nas obras-primas que todos conhecemos.

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Carl Otto Nicolai em 1842 | Litografia de Josef Kriehuber (1800-1876) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1940 o realizador alemão Leopold Hainisch assinou o seu primeiro filme, intitulado Falstaff em Viena. Em registo de comédia musical, o enredo desenvolve-se em torno da figura de Carl Otto Nicolai e da criação d’As Alegres Comadres de Windsor. Relativamente desconhecido do grande público, este compositor pertence à geração seguinte à de Ludwig van Beethoven e Carl Maria von Weber. Ainda assim, tal projeção cinematográfica traduz bem a popularidade póstuma daquela ópera, cuja abertura se destaca com frequência nas salas de concerto.

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«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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A Sinfonia N.º 4 de Joly Braga Santos foi composta em 1950 no Monte dos Perdigões, situado a cerca de 12 quilómetros do Castelo de Monsaraz | Fonte: Wikimedia Commons


SINFONIA À JUVENTUDE

 

Os anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra Mundial coincidiram com o período em que Joly Braga Santos atingiu a maturidade artística. Foi então que, em apenas quatro anos, compôs quatro das seis sinfonias que fizeram de si o maior sinfonista português de sempre. Em particular, a Sinfonia N.º 4 foi completada aos vinte e seis anos de idade e é dedicada «À Juventude Musical Portuguesa», instituição da qual foi mentor e cofundador.
 
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    Em 1948, Joly Braga Santos beneficiou de uma bolsa de estudos atribuída pelo Instituto de Alta Cultura que lhe permitiu, pela primeira vez, receber formação fora do país. Assim, no verão daquele ano, estudou Direção de Orquestra com o maestro alemão Hermann Scherchen, na cidade de Veneza. Teve aí a oportunidade de contactar diretamente com uma amostra representativa do panorama musical europeu do pós-guerra. Para lá dos ensinamentos estritamente musicais, que viriam a revelar-se fundamentais no seu percurso criativo, trouxe consigo o conceito institucional das Juventudes Musicais, o qual logo cuidou de implementar em Portugal com a preciosa ajuda de algumas personalidades de maior capacidade organizativa e influência junto do poder político. Não estranha por isso que, pouco tempo depois, em 1950, tenha dedicado uma sua sinfonia «À Juventude Musical Portuguesa», enquanto símbolo da união dos jovens de todo o mundo por intermédio da Música.

 

    O momento em que a dedicatória é explícita encontra-se no final da obra, quando o quarto andamento desemboca num hino coral reminiscente da Sinfonia N.º 9 de Beethoven – em particular na versão revista alguns anos mais tarde pelo próprio compositor, com a dimensão vocal acrescentada às partes instrumentais de origem. Culmina deste modo uma sinfonia cuja grandiosidade também se deve aos processos cumulativos aplicados no desenvolvimento dos temas melódicos, um procedimento indissociável da influência que recebeu do seu professor de referência em matéria de escrita orquestral, o compositor Luís de Freitas Branco. Por sinal, foi na casa de férias deste seu mestre, situada próximo de Reguengos de Monsaraz, no Monte dos Perdigões, que a obra foi composta. Explica-se assim a afinidade que se reconhece nos temas que se ouvem ao longo dos quatro andamentos com a canção tradicional alentejana. Sendo originais, aquelas melodias traduzem exemplarmente a preocupação de Braga Santos em «construir um música que […] pudesse falar com o Homem comum com simplicidade e clareza.» No mesmo encalço, distingue-se aqui também o segundo andamento, muito embora nos surpreenda com uma ambiência contrastante, entre conotações possíveis de uma marcha fúnebre.

 

 

Orquestra Académica Metropolitana
Maestro: Pedro Neves

 

Sexta-feira, 18 de janeiro de 2018, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

 

Sábado, 19 de janeiro de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

K. Penderecki Concerto para Violino N.º 1

J. Braga Santos Sinfonia N.º 4, À Juventude Musical Portuguesa

 

 
      
O violinista Isaac Stern em 1979  | Foto de Rob Bogaerts –  Anefo | Fonte: Wikimedia Commons
 
Ao longo da década de 1970, foram vários os compositores oriundos dos países do leste europeu que optaram por abandonar as técnicas modernistas em benefício de uma conciliação com as referências fundamentais da música de tradição romântica. A melodia e a consonância intervalar foram então resgatadas do anátema a que estavam votadas nos quadrantes artísticos mais vanguardistas. O Concerto para Violino N.º 1 de Krzysztof Penderecki foi uma das suas primeiras obras que denotou essa transição de paradigma.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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Dmitri Shostakovich em 1950 | Fonte: Wikimedia Commons
 
É bem sabido que muitas partituras de Schostakovich dissimulam mensagens de teor político ou pessoal. No caso das valsas, adivinha-se uma sugestão irónica, em virtude da conotação frívola do género, tendo em conta o panorama ideológico e o clima de opressão política em que tiveram origem. Em todo caso, nunca deixam de despertar um sorriso que, uma vez reenquadrado, predispõe aos melhores augúrios.

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