As Valsas e as Modas

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Musicália

As Valsas e as Modas




As Valsas e as Modas
Dmitri Shostakovich em 1950 | Fonte: Wikimedia Commons
 
É bem sabido que muitas partituras de Schostakovich dissimulam mensagens de teor político ou pessoal. No caso das valsas, adivinha-se uma sugestão irónica, em virtude da conotação frívola do género, tendo em conta o panorama ideológico e o clima de opressão política em que tiveram origem. Em todo caso, nunca deixam de despertar um sorriso que, uma vez reenquadrado, predispõe aos melhores augúrios.

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«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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Quem não conhece o motivo de quatro notas que dá início à Quinta Sinfonia de Beethoven? É, pois, chegada a hora de ver «o que vem de seguida». Ao longo de quatro andamentos assiste-se a uma obsessiva persistência em torno desse tema germinal, derivando noutros temas melódicos que nunca se afastam definitivamente. Explica-se assim a força desta obra.

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O baile | Pintura de Charles Wilda (1854–1907) | Fonte: Wikimedia Commons


AS VALSAS E AS MODAS

 

As valsas da família Strauss são indissociáveis dos tradicionais Concertos de Ano Novo. Hoje em dia já não se realizam bailes, e as pistas de dança transformaram-se substancialmente. Ainda assim, essa mesma música que encantou os salões europeus do século XIX enfrenta o passar dos tempos e das modas sem grandes abalos, encontrando sempre oportunidade e propósitos renovados. Escuta-se agora em formato de concerto e associada a contextos festivos. A sua extraordinária criatividade rítmica e melódica, assim como a contagiante boa-disposição anímica que a distingue, explicam porque assim acontece.
 
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    A música da família Strauss começou ouvir-se nos anos 1830. Tinha como principal trunfo a Valsa, essa dança que tantos imputaram de imoral pelo facto de lançar o homem e a mulher nos braços um do outro, nem sempre com a respeitável distância que caracterizava as danças sociais mais antigas. Foram Johann Strauss I e Josef Lanner que descobriram esse filão, quando se aperceberam de que o velho Minueto já não seduzia da mesma maneira os ilustres cidadãos de Viena. Logo se juntaram as polcas, os galopes, as marchas e as quadrilhas, alterando-se definitivamente a paisagem sonora de uma sociedade que sofria tão profundas transformações desde a Revolução Francesa. Naquela altura, os maiores bailes que aconteciam na cidade de Viena podiam reunir milhares de pessoas. Cresceu assim uma «febre» de modernidade que se espalhou por toda a Europa e que chegou a países como Portugal, onde floresceu a partir de meados do século através de um importante mercado de edição de partituras, com transcrições para piano destinadas ao consumo doméstico. Por essa altura, já Johann Strauss II, o filho, era conhecido como o «Rei da Valsa» – e continua a sê-lo.


 

Concerto de Ano Novo

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Evgeny Bushkov

 

Terça-feira, 1 de janeiro de 2019 (11h30), Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 

Terça-feira, 1 de janeiro de 2019 (17h00), Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 

Sexta-feira, 4 de janeiro de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

Sábado, 5 de janeiro de 2019, Coliseu Porto Ageas

 

Domingo, 6 de janeiro de 2019, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro

 

 

C. O. Nicolai Abertura da ópera Die Lustige Weiber aus Windsor
J. Strauss Valsa Delírio, Op. 212
J. Strauss II Polca mazurca A Emancipada, Op. 282
J. Strauss II Polca rápida Comboio da diversão, Op. 281
J. Strauss II Marcha Persa, Op. 289
J. Strauss II Polca Tritsch-Tratsch, Op. 214
J. Strauss II Abertura da Opereta Der Zigeunerbaron (O Barão Cigano)
J. Strauss Polca francesa A libélula, Op. 204
J. Strauss II Csardas da Ópera Ritter Pázmán, Op. 441
J. Strauss II Valsa Vozes da Primavera, Op. 410
J. Strauss II Nova Polca Pizzicato, do 3.º ato da Opereta Princesa Ninette
J. Strauss II Polca rápida Viva a Hungria, Op. 332
D. Schostakovich Pizzicato: Allegretto da suíte do bailado A Ribeira Brilhante, Op. 39a
J. Strauss Polca-Mazurca Amor-Perfeito, Op. 183
D. Schostakovich Valsa do filme Michurin, Op. 78
J. Strauss Polca Anna, Op. 137
D. Schostakovich Valsa do filme Pirogov, Op. 76
J. Strauss Galope Chinês, Op. 20
J. Strauss II Valsa Danúbio azul, Op. 314

 

 
      
Carl Otto Nicolai em 1842 | Litografia de Josef Kriehuber (1800-1876) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1940 o realizador alemão Leopold Hainisch assinou o seu primeiro filme, intitulado Falstaff em Viena. Em registo de comédia musical, o enredo desenvolve-se em torno da figura de Carl Otto Nicolai e da criação d’As Alegres Comadres de Windsor. Relativamente desconhecido do grande público, este compositor pertence à geração seguinte à de Ludwig van Beethoven e Carl Maria von Weber. Ainda assim, tal projeção cinematográfica traduz bem a popularidade póstuma daquela ópera, cuja abertura se destaca com frequência nas salas de concerto.

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Retrato de Joseph Haydn | Pintura de Thomas Hardy (1791) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nos primeiros compassos do último andamento da Sinfonia N.º 60 de Joseph Haydn, a orquestra para subitamente, e começa a afinar – como se os músicos se tivessem esquecido de fazê-lo antes. Este é um dos vários episódios que não disfarçam a singularidade desta Sinfonia composta no ano de 1774, em Eszterháza. Com efeito, se os tempos fossem outros ter-se-ia chamado Suíte, pois os seus andamentos correspondem a uma Abertura, quatro entreatos, e um Finale originalmente destinados a acompanhar uma comédia teatral intitulada «Il distratto».

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Nikolai Rimsky-Korsakov em 1898 | Pintura de Valentin Serov (1865–1911) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1909, Rimsky-Korsakov referiu-se nos seguintes termos ao Capricho Espanhol que havia composto duas décadas antes: «A opinião da crítica e do público que defende que o Capricho é uma peça magnificamente orquestrada, está errada. O Capricho é uma brilhante composição para orquestra. A alternância de timbres, a escolha feliz de melodias e padrões rítmicos que se ajustam a cada instrumento de forma precisa, as breves cadências virtuosísticas para os instrumentos a solo, os ritmos da percussão, etc., é isso que determina a essência desta composição – não é a sua “roupagem”, i.e. a orquestração».

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