Falstaff em Viena

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Musicália

Falstaff em Viena




Falstaff em Viena
O baile | Pintura de Charles Wilda (1854–1907) | Fonte: Wikimedia Commons
 
As valsas da família Strauss são indissociáveis dos tradicionais Concertos de Ano Novo. Hoje em dia já não se realizam bailes, e as pistas de dança transformaram-se substancialmente. Ainda assim, essa mesma música que encantou os salões europeus do século XIX enfrenta o passar dos tempos e das modas sem grandes abalos, encontrando sempre oportunidade e propósitos renovados. Escuta-se agora em formato de concerto e associada a contextos festivos. A sua extraordinária criatividade rítmica e melódica, assim como a contagiante boa-disposição anímica que a distingue, explicam porque assim acontece.

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Retrato de Joseph Haydn | Pintura de Thomas Hardy (1791) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nos primeiros compassos do último andamento da Sinfonia N.º 60 de Joseph Haydn, a orquestra para subitamente, e começa a afinar – como se os músicos se tivessem esquecido de fazê-lo antes. Este é um dos vários episódios que não disfarçam a singularidade desta Sinfonia composta no ano de 1774, em Eszterháza. Com efeito, se os tempos fossem outros ter-se-ia chamado Suíte, pois os seus andamentos correspondem a uma Abertura, quatro entreatos, e um Finale originalmente destinados a acompanhar uma comédia teatral intitulada «Il distratto».

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Quem não conhece o motivo de quatro notas que dá início à Quinta Sinfonia de Beethoven? É, pois, chegada a hora de ver «o que vem de seguida». Ao longo de quatro andamentos assiste-se a uma obsessiva persistência em torno desse tema germinal, derivando noutros temas melódicos que nunca se afastam definitivamente. Explica-se assim a força desta obra.

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Carl Otto Nicolai em 1842 | Litografia de Josef Kriehuber (1800-1876) | Fonte: Wikimedia Commons


FALSTAFF EM VIENA

 

Em 1940 o realizador alemão Leopold Hainisch assinou o seu primeiro filme, intitulado Falstaff em Viena. Em registo de comédia musical, o enredo desenvolve-se em torno da figura de Carl Otto Nicolai e da criação d’As Alegres Comadres de Windsor. Relativamente desconhecido do grande público, este compositor pertence à geração seguinte à de Ludwig van Beethoven e Carl Maria von Weber. Ainda assim, tal projeção cinematográfica traduz bem a popularidade póstuma daquela ópera, cuja abertura se destaca com frequência nas salas de concerto.
 
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    Otto Nicolai partiu aos dezassete anos de idade da cidade de Königsberg para estudar em Berlim com Carl Friedrich Zelter, o mesmo professor de Felix Mendelssohn. Desempenhou mais tarde as funções de organista da embaixada da Prússia em Roma, compôs quatro óperas em italiano para teatros como o Real de Turim ou o La Scala de Milão e tornou-se num dos músicos mais prestigiados em Viena nos anos 1840. Apesar deste percurso, a única obra do seu catálogo que ainda hoje se mantém popular é a ópera As Alegres Comadres de Windsor, estreada em março de 1849, apenas dois meses antes da sua morte.

 

    Originalmente, As Alegres Comadres de Windsor é uma comédia de costumes escrita por William Shakespeare por volta de 1600. Narra as peripécias de um nobre anafado e sem recursos chamado Falstaff, o célebre personagem shakespeariano que nesta peça se acha na cidade de Windsor tentando seduzir duas mulheres casadas. Vê-se no entanto enganado quando estas combinam entre si um plano que envolve o ciúme dos maridos, e termina desmascarado de maneira ultrajante. Adaptado ao género do singspiel, cantado e declamado em alemão, o libreto mantém-se fiel àquela narrativa. A abertura orquestral espelha bem o ambiente das cenas que atravessam os três atos. Tem um início algo misterioso, criando expectativa, mas logo se abandona no espírito jovial das personagens femininas e no registo burlesco do malogrado protagonista.


 

Concerto de Ano Novo

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Evgeny Bushkov

 

Terça-feira, 1 de janeiro de 2019 (11h30), Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 

Terça-feira, 1 de janeiro de 2019 (17h00), Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 

Sexta-feira, 4 de janeiro de 2019, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

Sábado, 5 de janeiro de 2019, Coliseu Porto Ageas

 

Domingo, 6 de janeiro de 2019, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro

 

 

C. O. Nicolai Abertura da ópera Die Lustige Weiber aus Windsor
J. Strauss Valsa Delírio, Op. 212
J. Strauss II Polca mazurca A Emancipada, Op. 282
J. Strauss II Polca rápida Comboio da diversão, Op. 281
J. Strauss II Marcha Persa, Op. 289
J. Strauss II Polca Tritsch-Tratsch, Op. 214
J. Strauss II Abertura da Opereta Der Zigeunerbaron (O Barão Cigano)
J. Strauss Polca francesa A libélula, Op. 204
J. Strauss II Csardas da Ópera Ritter Pázmán, Op. 441
J. Strauss II Valsa Vozes da Primavera, Op. 410
J. Strauss II Nova Polca Pizzicato, do 3.º ato da Opereta Princesa Ninette
J. Strauss II Polca rápida Viva a Hungria, Op. 332
D. Schostakovich Pizzicato: Allegretto da suíte do bailado A Ribeira Brilhante, Op. 39a
J. Strauss Polca-Mazurca Amor-Perfeito, Op. 183
D. Schostakovich Valsa do filme Michurin, Op. 78
J. Strauss Polca Anna, Op. 137
D. Schostakovich Valsa do filme Pirogov, Op. 76
J. Strauss Galope Chinês, Op. 20
J. Strauss II Valsa Danúbio azul, Op. 314

 

 
      
Dmitri Shostakovich em 1950 | Fonte: Wikimedia Commons
 
É bem sabido que muitas partituras de Schostakovich dissimulam mensagens de teor político ou pessoal. No caso das valsas, adivinha-se uma sugestão irónica, em virtude da conotação frívola do género, tendo em conta o panorama ideológico e o clima de opressão política em que tiveram origem. Em todo caso, nunca deixam de despertar um sorriso que, uma vez reenquadrado, predispõe aos melhores augúrios.

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O violinista Isaac Stern em 1979  | Foto de Rob Bogaerts –  Anefo | Fonte: Wikimedia Commons
 
Ao longo da década de 1970, foram vários os compositores oriundos dos países do leste europeu que optaram por abandonar as técnicas modernistas em benefício de uma conciliação com as referências fundamentais da música de tradição romântica. A melodia e a consonância intervalar foram então resgatadas do anátema a que estavam votadas nos quadrantes artísticos mais vanguardistas. O Concerto para Violino N.º 1 de Krzysztof Penderecki foi uma das suas primeiras obras que denotou essa transição de paradigma.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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