Capricho Espanhol

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Musicália

Capricho Espanhol




Capricho Espanhol
«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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Retrato de W. A. Mozart em 1777 | Autoria anónima  | Fonte: Wikimedia Commons
 
O Concerto para Oboé e Orquestra em Dó Maior é o único concerto que W. A. Mozart dedicou a este instrumento. Mas é também uma obra incontornável no repertório dos oboístas. Composto no verão de 1777, explora exaustivamente os recursos sonoros que então se tornaram possíveis graças às inovações introduzidas pelos luthiers. Durante mais de um século pensou-se que a partitura estaria perdida, até que em 1920 foi descoberto em Salzburgo um manuscrito revelador. Afinal, o célebre Concerto para Flauta N.º 2 KV 314 era resultado de uma transcrição daquela «misteriosa» obra.

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Retrato de Joseph Haydn | Pintura de Thomas Hardy (1791) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nos primeiros compassos do último andamento da Sinfonia N.º 60 de Joseph Haydn, a orquestra para subitamente, e começa a afinar – como se os músicos se tivessem esquecido de fazê-lo antes. Este é um dos vários episódios que não disfarçam a singularidade desta Sinfonia composta no ano de 1774, em Eszterháza. Com efeito, se os tempos fossem outros ter-se-ia chamado Suíte, pois os seus andamentos correspondem a uma Abertura, quatro entreatos, e um Finale originalmente destinados a acompanhar uma comédia teatral intitulada «Il distratto».

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Nikolai Rimsky-Korsakov em 1898 | Pintura de Valentin Serov (1865–1911) | Fonte: Wikimedia Commons
 
CAPRICHO ESPANHOL

Em 1909 Rimsky-Korsakov referiu-se nos seguintes termos ao Capricho Espanhol que havia composto duas décadas antes: «A opinião da crítica e do público que defende que o Capricho é uma peça magnificamente orquestrada, está errada. O Capricho é uma brilhante composição para orquestra. A alternância de timbres, a escolha feliz de melodias e padrões rítmicos que se ajustam a cada instrumento de forma precisa, as breves cadências virtuosísticas para os instrumentos a solo, os ritmos da percussão, etc., é isso que determina a essência desta composição – não é a sua “roupagem”, i.e. a orquestração».
 
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    O Capricho Espanhol é uma das obras mais conhecidas de Rimsky-Korsakov. Curiosamente, tal como indicia o título, está repleta de arquétipos sonoros conotados com a tradição musical espanhola. É sabido que Korsakov atracou alguns dias no porto de Cádis em 1868, quando ainda servia a marinha militar. Mas não terá sido essa a principal inspiração. O fascínio por aquelas sonoridades havia chegado à Rússia através de Mikhail Glinka, que nos anos 1840 fez uma visita mais prolongada àquele país. Com efeito, na segunda metade do século XIX os Nacionalismos foram uma moda internacional, transfigurando-se por vezes no culto do exotismo – veja-se os casos da Carmen de Bizet ou da Rapsódia espanhola de Liszt. No que respeita ao Capricho, foi composto no verão de 1887 e estreada a 31 de outubro do mesmo ano, com o compositor na condição de maestro à frente da Orquestra Imperial da Ópera de São Petersburgo. Desde logo, o sucesso foi retumbante, também em virtude do encantamento das melodias e dos ritmos, mas sobretudo graças ao colorido orquestral que Tchaikovsky elogiou dizendo tratar-se de uma «obra-prima colossal da orquestração».

 

    Rimsky-Korsakov, que dominava os recursos orquestrais como ninguém, escrevia diretamente na partitura orquestral sem recorrer ao piano. Tudo era originalmente concebido em função da natureza específica de cada instrumento, pelo que a essência reside na instrumentação. Inicialmente planeada como uma fantasia sobre temas espanhóis para violino e orquestra, resultou numa obra que explora as figurações rítmicas e melódicas características dos diferentes naipes da orquestra, oferecendo a cada um deles a oportunidade de brilhar. É disso exemplo a «Cena e canto cigano», uma série de cinco cadências em que se destacam primeiro as trompas e trompetes, depois um violino solo, a flauta, o clarinete e a harpa.

 

    No todo, também a obra se estrutura em cinco secções que, por sua vez, se dividem em duas grandes partes. A primeira compõe-se de uma «Alvorada», seguida de um conjunto de variações sobre um tema apresentado pela trompa. Regressa depois à mesma «Alvorada», mas com uma orquestração diferente – onde antes se ouvia o clarinete, aparece agora o violino, e vice-versa. A segunda parte tem início com a já referida «Cena e canto cigano», e remata com um conclusivo «Fandango das Astúrias».

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Maestro: Pedro Amaral

 

N. Rimsky-Korsakov Capricho Espanhol, Op. 34
 
 
 

 
      
O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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Dmitri Shostakovich em 1950 | Fonte: Wikimedia Commons
 
É bem sabido que muitas partituras de Schostakovich dissimulam mensagens de teor político ou pessoal. No caso das valsas, adivinha-se uma sugestão irónica, em virtude da conotação frívola do género, tendo em conta o panorama ideológico e o clima de opressão política em que tiveram origem. Em todo caso, nunca deixam de despertar um sorriso que, uma vez reenquadrado, predispõe aos melhores augúrios.

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Quem não conhece o motivo de quatro notas que dá início à Quinta Sinfonia de Beethoven? É, pois, chegada a hora de ver «o que vem de seguida». Ao longo de quatro andamentos assiste-se a uma obsessiva persistência em torno desse tema germinal, derivando noutros temas melódicos que nunca se afastam definitivamente. Explica-se assim a força desta obra.

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