As Imagens Húngaras de Bartók

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Musicália

As Imagens Húngaras de Bartók




As Imagens Húngaras de Bartók
 
«Batalha de Hanau» (30-31 de outubro de 1813) | Pintura de Horace Vernet datada de 1824 | Fonte: Wikimedia commons
 

A Sétima Sinfonia de Beethoven foi estreada num concerto de beneficência em favor dos militares austríacos que defrontaram as tropas de Napoleão Bonaparte na Batalha de Hanau. Ao encontro do espírito da cerimónia, três dos seus quatro andamentos têm um caráter esfuziante. Paradoxalmente, são os compassos dolentes do andamento lento que lhe são hoje mais conhecidos.

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Frédéric Chopin | Moeda Comemorativa, 50 zloty (1970-1972)
 
É comum chamar-se a Frédéric Chopin «O Poeta do Piano». Mas também é frequente apresentá-lo como símbolo da identidade nacionalista polaca. Esta é uma das dualidades que tornam a sua figura tão carismática. Por um lado, evoca-se a delicada beleza das muitas obras que compôs para piano solo, os detalhes tímbricos e os requintados fraseios que, parecendo supérfluos, são essenciais. Por outro, exalta-se a bravura da expressão ideológica e política no seu legado. Os dois concertos para piano e orquestra, nos quais tanto se empenhou por altura da transição entre Varsóvia e Paris, ilustram exemplarmente as duas vertentes.

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Viajante Sobre o Mar de Névoa (Pintura de Caspar David Friedrich, 1818) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O sentimentalismo artificioso e a afetação emocional intensa tornaram-se recursos dramáticos abundantes no domínio das artes, por vezes excessivos. É certo que são muito eficazes na captação da atenção do espectador, mas provocam frequentemente reações de repulsa e saturação. Afinal, são questões de afeto que dependem, em grande medida, da predisposição e disponibilidade de cada um. Assim, para lá de fascínios e encantamentos, a música de Chopin é liminarmente rejeitada por muitos. Nesses casos, é impossível apreciar os preciosos detalhes que a fizeram tão radicalmente moderna e original no seu tempo.

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Béla Bartók em 1927 | Fonte: Wikimedia commons
 

AS IMAGENS HÚNGARAS DE BARTÓK
 
Béla Bartók passou o verão de 1931 numa localidade austríaca próximo do lago Mondsee, onde foi convidado para ensinar num curso de verão frequentado por jovens músicos austríacos e norte-americanos. Imerso na tranquilidade daquelas paisagens, dedicou as horas vagas à orquestração de várias peças suas para piano que coincidiam na apropriação de ritmos e melodias da música tradicional do seu país. As Imagens Húngaras convidam-nos, deste modo, a fazer uma curta viagem por terras magiares.

 
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    As fronteiras geográficas de hoje são bem diferentes daquelas de há cem anos atrás. O Império Austro-Húngaro reunia vários reinos no seio da mesma soberania política. Depois da Primeira Grande Guerra Mundial tudo se redesenhou. Assim, atribuimos a nacionalidade húngara a Béla Bartók, muito embora a cidade onde nasceu, Nagyszentmiklós, a qual integrava o Reino da Hungria, tenha hoje o nome de Sânnicolau Mare e se situe no território da Roménia. Não espanta, portanto, que o seu interesse pelas tradições musicais populares tenha resultado em obras orquestrais como as Danças Tradicionais Romenas, de 1917, ou as Imagens Húngaras, de 1931.

 

    Neste último caso, trata-se da orquestração de cinco peças que o próprio havia composto para piano anteriormente, todas elas baseadas em melodias tradicionais daquela região. Começa com «Uma noite na aldeia», sobre uma melodia de caráter nostálgico protagonizada pelo clarinete, e que deriva das Dez peças fáceis para piano datadas de 1908. A «Dança do urso» tem a mesma origem e distingue-se por uma energia que resulta da imprevisibilidade rítmica e da substância modal características do folclore local. Já «Melodia» é emprestada dos Quatro hinos fúnebres, datados de 1909. É uma melodia sentida, na qual as cordas e as madeiras assumem um protagonismo pontuado pelo som etéreo da harpa. Segue-se «Ligeiramente embriagado», um retrato quase cinematográfico do passeio ébrio recuperado das Três burlescas, de 1911. A terminar ouve-se a «Dança do guardador de porcos», os ritmos de dança rápidos e festivos que se acham na série de peças para piano para crianças datadas de 1908-1909. No conjunto, são cinco retratos musicais que colocam à prova a versatilidade expressiva de qualquer orquestra.



 

Beethoven e a Apoteose da Dança

 

Orquestra Académica Metropolitana
Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

Béla Bartók Imagens Húngaras, Sz. 97

 

Sexta-feira, 9 de novembro de 2018, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

 

Sábado, 10 de novembro de 2018, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

Domingo, 11 de novembro de 2018, Grande Auditório da Culturgest, Lisboa

 

 
      
Emmanuel Chabrier em 1880. Pintura a óleo de Edouard Manet | Fonte: Wikimedia commons
 
Suíte Pastoral de Emmanuel Chabrier resulta da orquestração de peças para piano que o compositor e pianista francês completou em 1880. Do conjunto das Dez peças pitorescas, escolheu IdylleDanse VillageoiseSous Bois e Scherzo-Valse. São quatro miniaturas musicais, um turbilhão de sonoridades cristalinas, ambientes rústicos, entrelaçados tímbricos difusos de pendor impressionista que contrastam com ritmos exuberantes.

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Moeda comemorativa da Batalha de Hanau. Na cara, o cumprimento de Alexandre I da Rússia, Frederico Guilherme III da Prússia e Francisco I da Áustria.
 
Contrariando a opinião corrente de que o génio romântico é um sujeito inevitavelmente incompreendido pelos que o rodeiam, a estreia da Sétima Sinfonia de Beethoven, em 1813, foi um assinalável sucesso. Já antes, o compositor alemão havia alcançado a fama e tornara-se num dos compositores mais respeitados da época, em particular no domínio da música instrumental, já que Rossini começava a conquistar os teatros líricos de toda a Europa.

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Piano Broadwood & Sons de 1827 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Frédéric Chopin chegou a Paris, em setembro de 1831, já tinha apresentado o Concerto em Mi Menor em Vratislávia, Viena e Munique. Seguiu-se a Salle Pleyel, em fevereiro de 1832, onde a receção foi de tal modo favorável que se abriram as portas dos salões parisienses mais bem frequentados.

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