O Adagietto de Penderecki

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Musicália

O Adagietto de Penderecki




O Adagietto de Penderecki
Estátua de L. v. Beethoven colocada da Praça Beethoven em Viena | Escultura de Caspar von Zumbusch (1880) | Escultura de Carl Kundmann 1(872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O Triplo Concerto é considerado por muitos como o «patinho feito» dos concertos de Beethoven, razão pela qual não é dos mais tocados. Na verdade, é uma obra repleta de subtilezas, sem a grandiosidade de outras que o músico alemão assinou pela mesma altura, mas que evidencia a força e a ambição próprias do seu estilo naquele período. É, para todos o efeitos, uma inquestionável demonstração da mestria por parte do compositor de Bona.

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Béla Bartók em 1927 | Fonte: Wikimedia commons
 
Béla Bartók passou o verão de 1931 numa localidade austríaca próximo do lago Mondsee, onde foi convidado para ensinar num curso de verão frequentado por jovens músicos austríacos e norte-americanos. Imerso na tranquilidade daquelas paisagens, dedicou as horas vagas à orquestração de várias peças suas para piano que coincidiam na apropriação de ritmos e melodias da música tradicional do seu país. As Imagens Húngaras convidam-nos, deste modo, a fazer uma curta viagem por terras magiares.

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Frédéric Chopin | Moeda Comemorativa, 50 zloty (1970-1972)
 
É comum chamar-se a Frédéric Chopin «O Poeta do Piano». Mas também é frequente apresentá-lo como símbolo da identidade nacionalista polaca. Esta é uma das dualidades que tornam a sua figura tão carismática. Por um lado, evoca-se a delicada beleza das muitas obras que compôs para piano solo, os detalhes tímbricos e os requintados fraseios que, parecendo supérfluos, são essenciais. Por outro, exalta-se a bravura da expressão ideológica e política no seu legado. Os dois concertos para piano e orquestra, nos quais tanto se empenhou por altura da transição entre Varsóvia e Paris, ilustram exemplarmente as duas vertentes.

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Adão e Eva | Pintura a óleo de Peter Paul Rubens (ca. 1597/1600) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O ADAGIETTO DE PENDERECKI
 
O Adagietto do compositor polaco Krzysztof Penderecki emancipou-se da ópera Paraíso Perdido logo após a estreia, em 1978. No contexto original, preenche o momento de comoção e beleza que se interpõe entre o êxtase de Eva, que se deixa tentar pelo fruto da Árvore do Conhecimento, e o triste lamento de Adão. São apenas cinco minutos de música que se comparam a páginas tão célebres como o Adagio de Samuel Barber ou o Adagietto da Sinfonia N.º 5 de Gustav Mahler.
 
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    Krzysztof Penderecki descreveu a sua segunda ópera, Paraíso Perdido, como uma Sacra Rappresentazione, fazendo alusão aos espetáculos líricos do século XVI que em Itália se baseavam em temáticas bíblicas, e que evoluíram mais tarde para as Oratórias. Fê-la subir à cena pela primeira vez a 29 de novembro de 1978 na Ópera Lírica de Chicago, em resultado de uma encomenda que recebeu dois anos antes por parte da Organização das Celebrações do Bicentenário da Declaração de Independência dos E.U.A. O libreto, que se divide em dois atos, é da autoria do dramaturgo inglês Christopher Fry, que por sua vez se baseou livremente no poema épico homónimo publicado em 1667 por John Milton, a grande figura da língua inglesa. O enredo decorre no Céu, no Inferno e na Terra, em torno da narrativa do livro de Génesis.

 

    De maneira a expressar musicalmente a complexidade simbólica de tais cenários, e também de figuras como Santanás, Eva, Adão e Deus, Penderecki optou por associar diferentes recursos musicais a cada uma delas. O Adagietto, que entretanto se tornou autónomo nas salas de concerto, é um interlúdio orquestral que coloca em cena o êxtase delirante de Eva após comer o fruto proibido. Tem lugar entre a 5.ª e 6.ª cenas do segundo ato e transporta-nos ao Jardim do Éden para nos envolver numa dimensão sonora estática e reflexiva. Como se fosse um hino à inocência, diz-nos que não está ao alcance de quaisquer recursos teatrais a representação cénica da primeira vez que, na Humanidade, se consumou o amor.

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Direção Musical: Adrian Brendel *

 

F. Schubert Sinfonia N.º 5, D. 485

 

Sábado, 10 de novembro de 2018, Teatro Thalia

 

* Membro do DSCH-Schostakovich Ensemble, Agrupamento Associado da Temporada 2018/19

 
Estátua de F. Schubert no Parque da Cidade de Viena | Escultura de Carl Kundmann (1872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
No contexto da produção sinfónica de Franz Schubert, e em comparação com a Sinfonia N.º 4 (a «Trágica»), a N.º 5 poderá parecer um passo dado atrás. Num entendimento evolucionista da História da Arte é contranatura investir em formatos instituídos pelo passado quando já se vislumbram tendências futuras. Mas a questão não se colocava para o jovem Schubert em 1816, em particular diante do fascínio que sentia pela música de Mozart. Composta aos dezanove anos de idade, a Quinta Sinfonia revela simultaneamente a disciplina e a irreverência de um talento singular.

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«Batalha de Hanau» (30-31 de outubro de 1813) | Pintura de Horace Vernet datada de 1824 | Fonte: Wikimedia commons
 
A Sétima Sinfonia de Beethoven foi estreada na mesma ocasião da Sinfonia Batalha, um concerto de beneficência em favor dos combatentes austríacos que defrontaram as tropas de Napoleão Bonaparte na Batalha de Hanau. De acordo com o espírito da cerimónia, três dos quatro andamentos têm um caráter esfuziante. Paradoxalmente, são os compassos dolentes do andamento lento que lhe são hoje mais conhecidos.

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Daguerreótipo de Józef Michał Poniatowski (1816-1873) | Fonte: BnF Gallica
 

«Na partitura da Missa em Fá Maior [de J. M. Poniatowski], dedicada ao Rei de Portugal Dom Luís I, está presente a influência dos mestres do bel canto italiano, tais como Gaetano Dionizetti e Gioacchino Rossini. Todavia, também é possível reconhecer a proximidade com Georg Friedrich Händel (nos momentos enérgicos com técnicas fugadas, ou no modo como o coro intervém) e com o próprio estilo romântico. A conceção grandiosa da forma musical cruza-se com o lirismo religioso. A imponência das linhas vocais harmoniza-se com um atmosfera contemplativa e comovedora. A narrativa dos sons foca-se em palavras-chave que traduzem a mensagem da Missa.»

 

Excerto do texto «Com cara nova. Ite, missa est…»

assinado por Małgorzata Janicka-Słysz

 

Ler o texto na íntegra