O Triplo Concerto de Beethoven

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Musicália

O Triplo Concerto de Beethoven




O Triplo Concerto de Beethoven
Estátua de F. Schubert no Parque da Cidade de Viena | Escultura de Carl Kundmann (1872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
No contexto da produção sinfónica de Franz Schubert, e em comparação com a Sinfonia N.º 4 (a «Trágica»), a N.º 5 poderá parecer um passo dado atrás. Num entendimento evolucionista da História da Arte é contranatura investir em formatos instituídos pelo passado quando já se vislumbram tendências futuras. Mas a questão não se colocava para o jovem Schubert em 1816, em particular diante do fascínio que sentia pela música de Mozart. Composta aos dezanove anos de idade, a Quinta Sinfonia revela simultaneamente a disciplina e a irreverência de um talento singular.

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Frédéric Chopin tocando no salão dos Radziwiłłs em 1829 (pintura de Henryk Siemiradzki, 1887) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os concertos para piano de Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Sobretudo, estas opiniões focam aspetos relacionados com a construção formal e com a orquestração. Alheiam-se, todavia, de algo essencial: o impacto da vertente performativa como conteúdo estético. Chopin nunca quis escrever sinfonias. Quis, porventura, exibir a sua genialidade, mas sobretudo afetar intensamente o ouvinte com a sua presença. Nesse sentido, foi um verdadeiro mestre da Sedução.

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Frédéric Chopin | Moeda Comemorativa, 50 zloty (1970-1972)
 
É comum chamar-se a Frédéric Chopin «O Poeta do Piano». Mas também é frequente apresentá-lo como símbolo da identidade nacionalista polaca. Esta é uma das dualidades que tornam a sua figura tão carismática. Por um lado, evoca-se a delicada beleza das muitas obras que compôs para piano solo, os detalhes tímbricos e os requintados fraseios que, parecendo supérfluos, são essenciais. Por outro, exalta-se a bravura da expressão ideológica e política no seu legado. Os dois concertos para piano e orquestra, nos quais tanto se empenhou por altura da transição entre Varsóvia e Paris, ilustram exemplarmente as duas vertentes.

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Estátua de L. v. Beethoven colocada da Praça Beethoven em Viena | Escultura de Caspar von Zumbusch (1880) | Escultura de Carl Kundmann 1(872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O TRIPLO CONCERTO DE BEETHOVEN
 
O Triplo Concerto é considerado por muitos como o «patinho feito» dos concertos de Beethoven, razão pela qual não é dos mais tocados. Na verdade, é uma obra repleta de subtilezas, sem a grandiosidade de outras que o músico alemão assinou pela mesma altura, mas que evidencia a força e a ambição próprias do seu estilo naquele período. É, para todos o efeitos, uma inquestionável demonstração da mestria por parte do compositor de Bona.
 
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    O Triplo Concerto de Beethoven foi estreado pelo próprio compositor na condição de solista, muito embora existam relatos que apontam a possibilidade de a parte de piano ter sido escrita para ser tocada pelo jovem arquiduque Rodolfo da Áustria. Terá acontecido em ambiente informal, no final de maio ou no princípio de junho de 1804, na residência de Príncipe Lobkowitz, um dos mais importantes mecenas de Beethoven. Nessa ocasião realizou-se igualmente a primeira leitura da Sinfonia Eroica. Como solistas, juntaram-se-lhe dois músicos do príncipe. Só em 1808 viria a ser tocado em público.

 

    Trata-se do único concerto que Beethoven escreveu para mais do que um solista, designadamente, para piano, violino e violoncelo. É datado de 1803 e obedece à convencional estrutura de três andamentos que caracteriza aquele formato musical. Distingue-se, porém, por ser um extraordinário exercício de escrita em que é dado relevo a cada um dos solistas sem, para isso, sacrificar a coerência da obra. Curiosamente, o piano nunca domina o conjunto dos solistas. No primeiro andamento é, inclusivamente, relegado para um segundo plano, face ao maior protagonismo das partes do violoncelo e do violino. O segundo andamento é relativamente curto, mas vincadamente expressivo. A orquestra tem aí uma função discreta, sobre uma cadência lenta, contrastando com o maior aparato dos restantes andamentos. Por fim, e sem interrupção, segue-se um Rondo alla polacca, com grande vivacidade e temas melódicos emprestados da música tradicional da Polónia. É então que as passagens virtuosísticas dos solistas surgem com maior esplendor.

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solistas: Corey Cerovsek * (violino), Filipe Pinto-Ribeiro * (piano)

Violoncelo e Direção Musical: Adrian Brendel *

 

F. Schubert Sinfonia N.º 5, D. 485

 

Sábado, 10 de novembro de 2018, Teatro Thalia

 

* Membros do DSCH-Schostakovich Ensemble, Agrupamento Associado da Temporada 2018/19

 
Adão e Eva | Pintura a óleo de Peter Paul Rubens (ca. 1597/1600) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Adagietto do compositor polaco Krzysztof Penderecki emancipou-se da ópera Paraíso Perdido logo a após a estreia, em 1978. No contexto original, preenche o momento de comoção e beleza que se interpõe entre o êxtase de Eva, que se deixa tentar pelo fruto da Árvore do Conhecimento, e o triste lamento de Adão. São apenas cinco minutos de música que se comparam a páginas tão célebres como o Adagio de Samuel Barber ou o Adagietto da Sinfonia N.º 5 de Gustav Mahler.

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«Batalha de Hanau» (30-31 de outubro de 1813) | Pintura de Horace Vernet datada de 1824 | Fonte: Wikimedia commons
 
A Sétima Sinfonia de Beethoven foi estreada na mesma ocasião da Sinfonia Batalha, um concerto de beneficência em favor dos combatentes austríacos que defrontaram as tropas de Napoleão Bonaparte na Batalha de Hanau. De acordo com o espírito da cerimónia, três dos quatro andamentos têm um caráter esfuziante. Paradoxalmente, são os compassos dolentes do andamento lento que lhe são hoje mais conhecidos.

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Daguerreótipo de Józef Michał Poniatowski (1816-1873) | Fonte: BnF Gallica
 

«Na partitura da Missa em Fá Maior [de J. M. Poniatowski], dedicada ao Rei de Portugal Dom Luís I, está presente a influência dos mestres do bel canto italiano, tais como Gaetano Dionizetti e Gioacchino Rossini. Todavia, também é possível reconhecer a proximidade com Georg Friedrich Händel (nos momentos enérgicos com técnicas fugadas, ou no modo como o coro intervém) e com o próprio estilo romântico. A conceção grandiosa da forma musical cruza-se com o lirismo religioso. A imponência das linhas vocais harmoniza-se com um atmosfera contemplativa e comovedora. A narrativa dos sons foca-se em palavras-chave que traduzem a mensagem da Missa.»

 

Excerto do texto «Com cara nova. Ite, missa est…»

assinado por Małgorzata Janicka-Słysz

 

Ler o texto na íntegra