O Concerto para Oboé de Mozart

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Musicália

O Concerto para Oboé de Mozart




O Concerto para Oboé de Mozart
 

 

O Lago Wörthersee, Pintura de Marko Pernhart (1824–1871) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como as sinfonias de Beethoven com número par, a Segunda Sinfonia de Brahms é por vezes conotada com um período de relaxamento que o compositor se ofereceu após o esforço gigantesco despendido com a sinfonia anterior. Seria então um exercício de escrita descontraído, porventura menos cuidado, em matéria de composição. Mas esta leitura não resiste, sequer, à primeira audição. Ao cabo de uma dúzia de compassos, logo percebemos que é muito mais do que isso. Com ironia, o próprio compositor chamou-lhe «Sinfonia Feliz». Mas também disse, noutra ocasião, que a partitura deveria ter uma orla negra, tal era a melancolia que a trespassava. Em que ficamos?

Retrato de Joseph Haydn | Pintura de Thomas Hardy (1791) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nos primeiros compassos do último andamento da Sinfonia N.º 60 de Joseph Haydn, a orquestra para subitamente, e começa a afinar – como se os músicos se tivessem esquecido de fazê-lo antes. Este é um dos vários episódios que não disfarçam a singularidade desta Sinfonia composta no ano de 1774, em Eszterháza. Com efeito, se os tempos fossem outros ter-se-ia chamado Suíte, pois os seus andamentos correspondem a uma Abertura, quatro entreatos, e um Finale originalmente destinados a acompanhar uma comédia teatral intitulada «Il distratto».

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«Il Commendatore», Escultura de Anna Chromý colocada junto ao Teatro Nacional de Praga, onde estreou a ópera Don Giovanni, em 1787 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Entre o drama e a comédia, Don Giovanni de W. A. Mozart é uma ópera dramaturgicamente brilhante. A personagem principal não é somente um nobre depravado que promete casamento às donzelas abandonando-as de seguida. Desafia-nos a questionar o mito do herói. Revela-se uma identidade complexa que vai ao encontro da dimensão humana e tolerante do libreto de Lorenzo Da Ponte.

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Retrato de W. A. Mozart em 1777 | Autoria anónima  | Fonte: Wikimedia Commons

O CONCERTO PARA OBOÉ DE MOZART
 
O Concerto para Oboé e Orquestra em Dó Maior é o único concerto que W. A. Mozart dedicou a este instrumento. Mas é também uma obra incontornável no repertório dos oboístas. Composto no verão de 1777, explora exaustivamente os recursos sonoros que então se tornaram possíveis graças às inovações introduzidas pelos luthiers. Durante mais de um século pensou-se que a partitura estaria perdida, até que em 1920 foi descoberto em Salzburgo um manuscrito revelador. Afinal, o célebre Concerto para Flauta N.º 2 KV 314 era resultado de uma transcrição daquela «misteriosa» obra.
 
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    As cartas da família Mozart permitem hoje reconstituir a atribulada história do Concerto para Oboé de Mozart. Foi originalmente escrito para Giuseppe Ferlendis, um oboísta natural de Bergamo que se juntou à orquestra do Arcebispo de Salzburgo em abril de 1777. Todavia, Mozart partiu da cidade no mês de setembro seguinte, para empreender mais uma digressão pela Europa. Já em Mannheim, no final de outubro, conheceu Friedrich Ramm. Este outro oboísta, que integrava a orquestra da corte local, passou então a tocar o mesmo concerto quase sempre que se apresentava em público na condição de solista. Pouco tempo mais tarde, Mozart achou-se pressionado pela encomenda de um conjunto de obras destinadas a um flautista amador com vastos recursos financeiros. Seriam três pequenos concertos para flauta e várias obras de câmara. Assoberbado de trabalho, o compositor não conseguiu satisfazer o compromisso, optando por transcrever o concerto, agora na tonalidade de Ré Maior e com substanciais alterações, tendo em atenção as especificidades técnicas e expressivas de cada um dos instrumentos. A versão original ainda voltou a ser tocada em 1783, por um oboísta da orquestra de Esterháza, mas permaneceu esquecida daí em diante. Desfeito o mistério, explica-se assim a prevalência de registos tão agudos no Concerto para Flauta, entre outros detalhes.

 

    Desde que a corte do Rei Luís XIV abriu as portas dos salões aos sopros madeiras – que são por natureza mais propícios a ambientes reservados –, o oboé sofreu profundas transformações, sobretudo em meados do século XVIII. As novas técnicas de construção trouxeram melhoramentos tímbricos e um controle mais preciso da amplitude sonora. Na mesma assentada, a execução tornou-se mais difícil, com dedilhações complexas e maior sensibilidade no ajuste da afinação. Ajustava-se melhor, no entanto, ao estilo musical então emergente, o qual se espelha na fluidez e equilíbrio formal deste concerto. Com os convencionais três andamentos e uma orquestração cristalina, oferece-se ao solista todas as condições para brilhar. O primeiro andamento tem início com a tradicional exposição protagonizada pela orquestra. Abre-se então caminho a sucessivas elaborações dos temas por parte do solista, com numerosos apontamentos virtuosísticos que culminam na sempre esperada cadência. O andamento lento é um Adagio que se assemelha a uma ária de ópera. Após uma introdução orquestral solene, o oboé parece assumir o papel de cantor lírico, mas diluindo as palavras na peculiaridade do seu recorte tímbrico, sempre sereno, mas resoluto. Por fim, no Rondó final, o tema melódico principal, prontamente apresentado pelo solista, serve de base a sucessivos episódios que garantem a exuberância indispensável a um concerto daquela época. Não por acaso, Mozart recuperou essa mesma melodia 5 anos mais tarde numa ária da ópera O rapto do serralho.

 

Festival Antena 2

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Solista: Sally Dean (oboé)

Maestro: Pedro Amaral

 

J. Brahms Sinfonia N.º 2, Op. 73

 
 
Capa da 1.ª Edição da Segunda Sinfonia de J. Brahms (1878) | Fonte: IMSLP
 
A Segunda Sinfonia de Brahms é bastante mais discreta do que a Primeira. Requer, por isso, uma atenção especial. Em muita música alemã da segunda metade do século XIX sente-se a nostalgia provocada por um modelo de criação artística que se esgotava. Em Brahms, todavia, não se vislumbra qualquer laivo de decadência. A destreza técnica e a sobriedade expressiva que se reconhecem neste seu Op. 73 ajudam a explicá-lo. Brahms não ansiava por um lugar na História. Ele interpretava o seu lugar na História. Encarava a Tradição com uma atitude construtiva, sempre buscando novos caminhos e soluções.

A Sinfonia N.º 4 de Joly Braga Santos foi composta em 1950 no Monte dos Perdigões, situado a cerca de 12 quilómetros do Castelo de Monsaraz | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra Mundial coincidiram com o período em que Joly Braga Santos atingiu a maturidade artística. Foi então que, em apenas quatro anos, compôs quatro das seis sinfonias que fizeram de si o maior sinfonista português de sempre. Em particular, a Sinfonia N.º 4 foi completada aos vinte e seis anos de idade e é dedicada «À Juventude Musical Portuguesa», instituição da qual foi mentor e cofundador.

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Dmitri Shostakovich em 1950 | Fonte: Wikimedia Commons
 
É bem sabido que muitas partituras de Schostakovich dissimulam mensagens de teor político ou pessoal. No caso das valsas, adivinha-se uma sugestão irónica, em virtude da conotação frívola do género, tendo em conta o panorama ideológico e o clima de opressão política em que tiveram origem. Em todo caso, nunca deixam de despertar um sorriso que, uma vez reenquadrado, predispõe aos melhores augúrios.

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