Os Concertos para Piano de Chopin

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Musicália

Os Concertos para Piano de Chopin




Os Concertos para Piano de Chopin
Daguerreótipo de Józef Michał Poniatowski (1816-1873) | Fonte: BnF Gallica
 

«Na partitura da Missa em Fá Maior [de J. M. Poniatowski], dedicada ao Rei de Portugal Dom Luís I, está presente a influência dos mestres do bel canto italiano, tais como Gaetano Dionizetti e Gioacchino Rossini. Todavia, também é possível reconhecer a proximidade com Georg Friedrich Händel (nos momentos enérgicos com técnicas fugadas, ou no modo como o coro intervém) e com o próprio estilo romântico. A conceção grandiosa da forma musical cruza-se com o lirismo religioso. A imponência das linhas vocais harmoniza-se com um atmosfera contemplativa e comovedora. A narrativa dos sons foca-se em palavras-chave que traduzem a mensagem da Missa.»

 

Excerto do texto «Com cara nova. Ite, missa est…»

assinado por Małgorzata Janicka-Słysz

 

Ler o texto na íntegra



Folheto de propaganda da participação das tropas aliadas na Primeira Grande Guerra Mundial | Fonte: BNP
 

Não é fácil enquadrar estilisticamente o Concerto para Violino e Orquestra de Luís de Freitas Branco, quer no âmbito das tendências que à época coexistiam no panorama musical europeu quer do percurso criativo do próprio autor. Datado de 1916, nele convergem o formalismo clássico, o virtuosismo de inspiração romântica e técnicas de escrita herdeiras das vanguardas oitocentistas. Ancorada numa sólida erudição do passado, é uma obra pioneira do movimento neoclássico que dava então os primeiros passos.

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Frédéric Chopin tocando no salão dos Radziwiłłs em 1829 (pintura de Henryk Siemiradzki, 1887) | Fonte: Wikimedia Commons
 
OS CONCERTOS PARA PIANO DE CHOPIN
 
Os concertos para piano de Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Sobretudo, estas opiniões focam aspetos relacionados com a construção formal e com a orquestração. Alheiam-se, todavia, de algo essencial: o impacto da vertente performativa como conteúdo estético. Chopin nunca quis escrever sinfonias. Quis, porventura, exibir a sua genialidade, mas sobretudo afetar intensamente o ouvinte com a sua presença. Nesse sentido, foi um verdadeiro mestre da Sedução.
 
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    Há uma boa razão para evitar a numeração dos dois Concertos para Piano que se lê no catálogo de obras de Frédéric Chopin. O Concerto em Fá Menor foi tocado no Teatro Nacional de Varsóvia em março de 1830 para mais de 800 pessoas – foi um sucesso retumbante que, aos vinte anos de idade, lhe valeu o reconhecimento público com o título de «Paganini do Piano». Já o Concerto em Mi Menor só foi ali estreado no mês de outubro seguinte, mas foi aquele em que o músico mais apostou para se dar a conhecer ao mundo. Por critérios comerciais, fê-lo publicar em 1833 em Paris, e só três anos mais tarde o Concerto em Fá Menor. Por isso, foram compostos por ordem cronológica inversa àquela que a numeração – 1 e 2 – sugere. São dois concertos indissociáveis um do outro, mas que seguiram caminhos diferentes, pelo menos numa primeira fase. Com a composição destas obras, Chopin pretendia lançar a sua carreira enquanto intérprete/compositor. Por isso, a apreciação não se deve limitar às partituras, porque estas não revelam a importância da componente performativa.

 

    Apesar de bem sucedidas, as primeiras apresentações públicas destes concertos em Paris levaram Chopin a concluir que não gostava de tocar para audiências numerosas. A Grande Polonaise Brilhante Op. 22, de 1831, seria a sua última obra com orquestra. A partir daí dedicou-se sobretudo a peças de curta duração para piano solo.

 

 

Polónia: O Século da Independência


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solistas: Krzysztof Książek (piano)

Maestro: Sebastian Perłowski


F. Chopin Concerto para Piano e Orquestra N.º 1, Op. 11

 

 
 
 
Piano Broadwood & Sons de 1827 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Frédéric Chopin chegou a Paris, em setembro de 1831, já tinha apresentado o Concerto em Mi Menor em Vratislávia, Viena e Munique. Seguiu-se a Salle Pleyel, em fevereiro de 1832, onde a receção foi de tal modo favorável que se abriram as portas dos salões parisienses mais bem frequentados.

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Sem título, Pintura de Amadeu de Sousa Cardoso (1913) | Fonte: Wikimedia Commons
 

Os Concertos para Violino e Orquestra são bastante raros nos catálogos dos compositores portugueses. Excluindo as décadas mais recentes, só se destacam aqueles de Armando José Fernandes e de Luís de Freitas Branco. Com efeito, a maioria das obras escritas para este formato teve origem na Europa Central, Rússia e Itália. Inclusivamente em França, exceptuando Saint-Saëns, o género não mereceu atenção comparável. Esta circunstância bastaria para valorizar a composição de Freitas Branco aqui focada, mas ela própria tem argumentos que «falam» por si. 

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