La folia di Spagna

facebook Instagram Youtube

Musicália

La folia di Spagna




La folia di Spagna
Trompa de Postilhão | Gravura de um folheto de 1648 | Fonte: BnF Gallica

À semelhança dos Divertimentos, a Serenata permitia aos compositores da segunda metade do século XVIII reunir um número variável de peças para serem tocadas ao longo de um evento social importante. No caso do KV 320 de W. A. Mozart, sucedem-se 7 números interpretados por uma orquestra que junta às cordas e aos tímpanos numerosos instrumentos de sopro. Entre estes, acha-se a trompa, cujo destaque em determinado momento leva a que se conheça esta obra por Trompa de Postilhão.

saber mais



 

Chorale é uma peça orquestral de Magnus Lindberg que foi composta no mesmo ano do Concerto para Clarinete, em 2002. Ao longo de 6 minutos, proporciona uma experiência de escuta imersiva que, de algum modo, se compara à contemplação de um vidro com textura irregular. Por detrás da sua aparência, reconhece-se a presença do hino que encerra a Cantata BWV 60 de J. S. Bach, ainda que transfigurado.

saber mais



Foto de uma ilha do Golfo da Finlândia, Ulko Tammio | Fonte: Wikimedia Commons
 

O Concerto para Clarinete e Orquestra do compositor finlandês Magnus Lindberg foi escrito no verão de 2002. É uma obra que discorre num equilíbrio delicado, entre a extroversão expressiva e a contenção íntima de quem fala consigo próprio. Concilia um estilo fraturante, afim às vanguardas do século XX, e um registo harmonioso pontuado por contornos precisos que prendem a atenção. Assiste o vigor dos gestos e a exaltação rítmica, mas também uma introspeção profunda onde a proeminência melódica se estende sobre manchas orquestrais meticulosamente trabalhadas.

saber mais


          
 
LA FOLIA DI SPAGNA
 

La folia di Spagna é um curto tema melódico que se tem mantido popular desde há cerca de quinhentos anos. Foi pela primeira vez publicado em partitura em 1672, mas a sua existência reporta ao século anterior, porventura com origem em Portugal. Ao longo dos tempos, centenas de compositores compuseram novas obras que se baseiam naquelas notas. É o caso das 26 Variações sobre La folia di Spagna de Antonio Salieri, datadas de 1815.

 

**
 

    Na origem, a Folia era uma dança ternária associada ao culto da fertilidade. Terá surgido em Portugal em inícios do século XVI, lendo-se o primeiro registo da palavra no Auto da Sibila Cassandra, de Gil Vicente. Depois disso, a sua prática disseminou-se por Espanha, onde adquiriu os contornos rítmicos e harmónicos que se lhe conhecem. Foi, precisamente, em Espanha que a melodia foi pela primeira vez documentada em partitura. Com o passar dos tempos, tornou-se extremamente popular – primeiro em Itália, depois em toda a Europa. Porque as suas características permitiam que fosse adaptada aos mais variados estilos musicais, foi encarada como um desafio por parte de inúmeros compositores, desde J.-B. Lully a A. Corelli, D. Scarlatti, J. S. Bach, L. Cherubini, F. Liszt e S. Rachmaninov, entre muitos outros. 

    No caso de Antonio Salieri (1750-1825), músico italiano que passou a maior parte da vida ao serviço da corte de Viena, desconhece-se a motivação concreta para a composição desta obra. Trata-se da última partitura orquestral da sua carreira, um Divertimento em grande escala numa época em que as variações para orquestra eram raras. De certo modo, parece tratar-se de um exercício de orquestração por parte de um compositor que, em final de vida, pretendia transmitir um legado. Sem nunca se afastar da melodia original, foca-se quase em exclusivo na utilização que faz dos instrumentos, como se fosse uma antologia dos recursos da orquestra. Percorre assim uma paleta expressiva tremendamente variada, em que contrasta o drama solene operático e solilóquios violinísticos, o registo mais lúgubre das trompas e apontamentos pueris das flautas ou de simples danças de salão.

 

Mozart & Salieri


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Maestro: Pedro Neves

 

W. A. Mozart Sinfonia N.º 29, KV 201/186a

A. Salieri 26 Variações sobre La folia di Spagna

W. A. Mozart Seretana N.º 9, KV 320, Trompa de postilhão

 

Sábado, 12 de maio de 2018, Teatro Thalia

                  
 

SINFONIA N.º 29 DE MOZART

Tratando-se de música clássica, é por vezes difícil saber «por onde começar». Pois não é descabida esta sugestão: a Sinfonia N.º 29 de Wolfgang Amadeus Mozart. É certo que as últimas três sinfonias do compositor austríaco são bastante mais virtuosas e fulgurantes. Porém, esta que escreveu aos dezoito anos de idade é particularmente convidativa. Sem arrebatamentos expressivos ou cerimónias em excesso, somos todos muito bem-vindos.

saber mais



Carl Reinecke em 1902 | Fonte: Wikimedia Commons
 

O CONCERTO PARA FLAUTA DE REINECKE

Os três andamentos do Concerto para Flauta e Orquestra de Carl Reinecke discorrem sonoridades que não espelham a azáfama civilizacional da primeira década do século passado. Escutam-se imaginários fantasiosos, plenos de lirismo e afetação galante, como retratos de alguém que habita um mundo alternativo a tudo o que o rodeia. Ainda assim, transparece uma sensação de autenticidade e lucidez inabalável.

saber mais



George Gershwin em 1931 | Fonte: Wikimedia Commons
 

UM AMERICANO EM PARIS

Depois de Rhapsody in BlueUm americano em Paris deverá ser a composição mais conhecida de G. Gerswhin. Resultou de uma viagem feita pelo compositor a Paris. Com base nessa experiência, a música inspira-se nas impressões de um cidadão americano imerso na Cidade das Luzes, atento ao som urbano e ao glamour de espaços emblemáticos como os Campos Elísios ou a monumental Torre Eiffel. A partitura atravessa sucessivos humores que vão da nostalgia ao deslumbramento.

saber mais