Uma Sinfonia Francesa

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Musicália

Uma Sinfonia Francesa




Uma Sinfonia Francesa
 

O VIOLONCELO ROMÂNTICO

Foi no século XIX que o violoncelo se afirmou inequivocamente como um instrumento solista tecnicamente virtuoso e expressivamente versátil. É certo que existiam, vindas de trás, importantes provas dadas, tais como as emblemáticas Suítes de J. S. Bach ou os concertos de Vivaldi, Boccherini e Haydn. Mas foi no período romântico que maior número de compositores lhe dedicou obras de grande aparato e um protagonismo sem precedentes. No caso específico da música francesa, destacam-se duas composições contrastantes: o 1.º Concerto para Violoncelo de Saint-Saëns e a Élégie Op. 24 de Fauré.



Primeira página do manuscrito autógrafo d’A Flauta Mágica | Fonte: Omnifacsimiles
 

A FLAUTA MÁGICA

Quem não se lembra do motivo «Pa-Pa Pa-Pa» do dueto entre Papageno e Papagena? E dos agudos certeiros da ária da Rainha da Noite? Estes são os momentos mais populares d’A Flauta Mágica. Mas há muito mais que descobrir nesta ópera que é por muitos considerada a melhor das que W. A. Mozart assinou.



Bohuslav Martinů em 1943 | Fonte: Wikimedia Commons
 

UM CONCERTO OLÍMPICO

A par dos concertos de Richard Strauss, Elliott Carter e Vaughan Williams, o Concerto para Oboé de Bohuslav Martinů (1890-1959) é uma referência fundamental do repertório do último século para este instrumento. Datado de 1955, destinou-se originalmente ao oboísta Jiří Tancibudek (1921-2004), também de nacionalidade checa mas naturalizado australiano. Foi estreado no ano seguinte, no contexto alargado dos Jogos Olímpicos de Melbourne. O nível de exigência técnica e expressiva que se pede ao solista combina bem com essa ocasião.



 
Apesar de ter sido composta por Tchaikovsky há já mais de um século, só desde há cinquenta anos a música do bailado O Quebra-Nozes se tornou verdadeiramente conhecida do grande público, em boa medida graças à concisão e popularidade da Suíte Orquestral Op. 71a. As oito curtas peças desta suíte são recorrentemente utilizadas pelos criativos da publicidade e, sobretudo, tornaram-se presença obrigatória na paisagem sonora natalícia, fenómeno a que não é alheio o enredo do espetáculo estreado no Teatro Mariinsky, em 1891.
 
 
 

Um concerto na Sala do Conservatório de Paris em 1881 | Fonte: Wikimedia Commons


UMA SINFONIA FRANCESA

 

Quando se fala de Sinfonia, os primeiros nomes que nos ocorrem pertencem a compositores alemães e austríacos (tais como Beethoven, Brahms, Bruckner ou Mahler), e não franceses. Com efeito, no século XIX, a música orquestral sinfónica não era igualmente apreciada em França. Ainda assim, houve exceções notáveis, tais como a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz ou a Sinfonia em Ré Menor de César Franck.

 

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    Na segunda metade do século XIX, não querendo um músico enveredar pela carreira de intérprete virtuoso, a melhor maneira que tinha para se tornar célebre era compondo óperas. Durante o Segundo Império Francês (1852-1870), Paris tinha-se tornado um centro de modas que confiava grande importância ao entretenimento público. No que respeita à música, a Grand Ópera satisfazia esse gosto, não deixando grande margem para a Música de Câmara ou para a Música Sinfónica orquestral, os géneros para os quais César Franck parecia dotado. Nestes domínios, fazia-se acompanhar de compositores como Camille Saint-Saëns e Vincent d’Indy.

 

    Um dos contributos mais importantes para o «renascimento» da música orquestral francesa foi a fundação em 1871 de uma instituição, a Société Nationale de Musique, que tinha como objetivo promover a música dos autores franceses alinhados com a tradição musical mais clássica. Porém, numa época em que os ideais nacionalistas fervilhavam na Europa (países como a Grécia, a Bélgica, a Itália e, sobretudo, a Alemanha eram muito recentes), defender a música orquestral «pura» gerava equívocos. Por um lado, protegia os compositores franceses, o que tinha grande aceitação popular. Por outro, assumia como modelos os músicos germânicos do passado, o que já não era tão conveniente, pois a França acabava de sofrer uma derrota humilhante diante dos alemães na Guerra Franco-Prussiana, provocando a dissolução do regime e a instauração da Terceira República.

 

    Anos mais tarde, quando em fevereiro de 1888 César Franck fez estrear a Sinfonia em Ré Menor no Conservatório de Paris, os sentimentos nacionalistas ainda estavam exaltados e terão impedido que a aceitação da obra fosse consensual. Acrescia que César Franck tinha assumido a presidência da Société Nationale de Musique em 1886, e que uma das alterações por si introduzidas foi a aceitação de compositores de diferentes nacionalidades. Apesar da aprovação dos músicos mais próximos, o sentimento anti-germânico que na época se sentia em França terá motivado reações menos positivas na audiência.

 

    Por sinal, ainda hoje esta é uma obra controversa que divide o público. Por detrás de uma aparência clássica, esconde nuances e subtilezas que não satisfazem as mesmas expectativas de uma sinfonia convencional. Por isso, se a música tem nacionalidade, pode admitir-se que esta é, afinal, uma sinfonia francesa, de pleno direito.

 

 

Orquestra Académica Metropolitana

Violoncelo: Pavel Gomziakov * (violoncelo)

Direção Musical: Jean-Marc Burfin

e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

* Artista Associado da Temporada de Música da Metropolitana 2017/1018

 

 

G. Fauré Élégie, Op. 24

C. Saint-Saëns Concerto para Violoncelo N.º 1, Op. 33

César Franck (1822-1890) – Sinfonia em Ré Menor, FWV 48 (1888)

 

 

Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

 

Sábado, 20 de janeiro de 2018, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

 

 

 

 
[Ilustração sem título] Fonte: Pixabay
 
A Flauta Mágica é a mais famosa das óperas de Mozart. Mas é também uma das obras mais enigmáticas de todo o repertório lírico. Essa singularidade resulta de um conjunto de características que desperta interpretações muito variadas. Será um conto de fadas dirigido a crianças? Uma recriação dissimulada de rituais maçónicos? Uma alegoria de ideais e circunstâncias políticas?… Certo é que, enquanto obra musical, se apresenta como um faustoso mosaico de estilos e referências diversos.



Fotografia de Tchaikovsky datada entre 1880 e 1886 | Fonte: Wikimedia Commons

 

A Serenata para Cordas Op. 48 de Tchaikovsky é presença frequente nas programações das salas de concerto nos nossos dias. O segundo andamento, uma valsa, será talvez uma das peças mais conhecidas do compositor russo. Mas os restantes três pouco lhe ficam atrás, em particular no que respeita à beleza melódica e à mais genuína expressividade.


 

O CONCERTO DE ANO NOVO

Brindando com palavras, pode dizer-se que a Música é uma linguagem universal, mas nem sempre a compreendemos; que é uma arte intemporal, mas o significado que traz consigo depende do tempo e do lugar onde ocorre. Tem, todavia, uma transcendente capacidade para reunir pessoas em torno de um desígnio comum. A mensagem não lhe pertence, mas o propósito da celebração, seja festivo ou plangente, utópico ou protestativo, não seria partilhado de igual modo na sua ausência. Um Concerto de Ano Novo é isto mesmo, um palco de sons que acrescenta sentido aos sentimentos e às reflexões de um momento especial.