Frédéric versus Chopin

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Musicália

Frédéric versus Chopin




Frédéric versus Chopin
Piano Broadwood & Sons de 1827 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Frédéric Chopin chegou a Paris, em setembro de 1831, já tinha apresentado o Concerto em Mi Menor em Vratislávia, Viena e Munique. Seguiu-se a Salle Pleyel, em fevereiro de 1832, onde a receção foi de tal modo favorável que se abriram as portas dos salões parisienses mais bem frequentados.

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Franz Schubert | Pormenor da pintura de Wilhelm August Rieder datada de 1875 e realizada a partir de uma sua aguarela de 1825 | Fonte: Wikimedia Commons
 
A Sinfonia N.º 4 de Franz Schubert foi intitulada de «Trágica» pelo próprio compositor, já depois de concluída. Todavia, o sentimento que prevalece após a audição dos quatro andamentos não se espelha em qualquer ideia de tragédia.

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Schubert com cerca de 17 anos | Pintura de Josef Abel (1764–1818) | Fonte: Wikimedia Commons
 
A Quarta Sinfonia distingue-se entre as primeiras seis escritas por Schubert por não assumir uma disposição manifesta de entretenimento e por ser mais despojada, no que respeita à expressão dos afetos. Traduz-se, assim, numa evolução do estilo do compositor austríaco.

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Frédéric Chopin (1810-1849) | Moeda Comemorativa, 50 zloty (1970-1972)
 

FRÉDÉRIC VERSUS CHOPIN
 
É comum chamar-se a Frédéric Chopin «O Poeta do Piano». Mas também é frequente apresentá-lo como símbolo da identidade nacionalista polaca. Esta é uma das dualidades que tornam a sua figura tão carismática. Por um lado, evoca-se a delicada beleza das muitas obras que compôs para piano solo, os detalhes tímbricos e os requintados fraseios que, parecendo supérfluos, são essenciais. Por outro, exalta-se a bravura da expressão ideológica e política no seu legado. Os dois concertos para piano e orquestra, nos quais tanto se empenhou por altura da transição entre Varsóvia e Paris, ilustram exemplarmente as duas vertentes.
 
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    O pai de Frédéric Chopin nasceu em França, mas radicou-se na Polónia com dezasseis anos de idade, levado por um mordomo que em 1787 regressou com a família ao país de origem, depois de servir durante vários anos na capital francesa. Assistiram então às invasões russas e à resistência nacionalista que vingou durante as Guerras Napoleónicas. Após 1815, de novo sob domínio russo, viveu-se em Varsóvia um período de relativa estabilidade social e política que coincidiu com a juventude do músico. As artes e as ciências prosperavam, havendo oportunidades para assistir a concertos de alguns dos mais prestigiados cantores líricos e instrumentistas virtuosos da época. Com a morte do Czar Alexandre I, em 1825, Nicolau I subiu ao poder e a situação degradou-se progressivamente. As determinações autocráticas despertaram um clima de conspiração política e cresceu a consciência contestatária entre a geração de Chopin. As Revoluções Liberais que se propagaram em 1830 por toda a Europa coincidiram com o início da sua carreira profissional, empurrando-o para um exílio que se prolongaria por toda a vida.

 

    Os Concertos em Fá Menor (N.º 2) e em Mi Menor (N.º 1), respetivamente, haviam sido estreados em março e outubro desse ano em Varsóvia. Já em novembro, Chopin foi para Viena tentar reacender o sucesso que ali obtivera no verão do ano anterior. Mas foi quando a insurreição polaca retomou o conflito contra os russos. Os oito meses que então permaneceu na capital austríaca revelaram-se assim pouco gratificantes. Chegou a apresentar-se em concerto com o Concerto em Mi Menor, mas os salões da aristocracia estavam-lhe vedados em virtude das suas afinidades políticas. Partiu, por isso, em direção a Paris, com escalas em Salzburgo e Munique, tocando sempre aquele concerto. Chegou em setembro de 1831, quando os russos já haviam vencido na Polónia.

 

    Paris era então uma cidade efervescente em múltiplos aspetos, também nos domínios intelectual e artístico. Rossini e Meyerbeer eram ali os compositores mais populares e abundavam as oportunidades para os novos talentos. Desde logo, as primeiras apresentações públicas de Chopin foram muito aplaudidas, mas levaram-no a concluir que tinha preferência por ambientes mais reservados. A impetuosidade expressiva dos seus concertos, o registo histriónico e as tipologias da música tradicional polaca que sobressaem amiúde, mantiveram-se presentes nas peças posteriores de pequeno formato. Mas prevaleceu daí em diante o estilo expressivo mais delicado e intimista que se reconhece nos andamentos lentos. Por tudo isto, as partituras dos dois concertos para piano que Chopin trouxe consigo de Varsóvia eram «cartões de visita» certeiros. Mostravam as duas faces que acompanharam o músico ao longo da vida… e do seu legado póstumo. Não por acaso, seu corpo foi sepultado em Paris, mas o coração foi conservado em conhaque e levado de volta ao país onde palpitou pela primeira vez.

 

 

Polónia: O Século da Independência


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Solistas: Krzysztof Książek (piano)

Maestro: Sebastian Perłowski


F. Chopin Concerto para Piano e Orquestra N.º 1, Op. 11

 

 
 
 
 
Daguerreótipo de Józef Michał Poniatowski (1816-1873) | Fonte: BnF Gallica
 

«Na partitura da Missa em Fá Maior [de J. M. Poniatowski], dedicada ao Rei de Portugal Dom Luís I, está presente a influência dos mestres do bel canto italiano, tais como Gaetano Dionizetti e Gioacchino Rossini. Todavia, também é possível reconhecer a proximidade com Georg Friedrich Händel (nos momentos enérgicos com técnicas fugadas, ou no modo como o coro intervém) e com o próprio estilo romântico. A conceção grandiosa da forma musical cruza-se com o lirismo religioso. A imponência das linhas vocais harmoniza-se com um atmosfera contemplativa e comovedora. A narrativa dos sons foca-se em palavras-chave que traduzem a mensagem da Missa.»

 

Excerto do texto «Com cara nova. Ite, missa est…»

assinado por Małgorzata Janicka-Słysz

 

Ler o texto na íntegra



Folheto de propaganda da participação das tropas aliadas na Primeira Grande Guerra Mundial | Fonte: BNP
 

Não é fácil enquadrar estilisticamente o Concerto para Violino e Orquestra de Luís de Freitas Branco, quer no âmbito das tendências que à época coexistiam no panorama musical europeu quer do percurso criativo do próprio autor. Datado de 1916, nele convergem o formalismo clássico, o virtuosismo de inspiração romântica e técnicas de escrita herdeiras das vanguardas oitocentistas. Ancorada numa sólida erudição do passado, é uma obra pioneira do movimento neoclássico que dava então os primeiros passos.

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Sem título, Pintura de Amadeu de Sousa Cardoso (1913) | Fonte: Wikimedia Commons
 

Os Concertos para Violino e Orquestra são bastante raros nos catálogos dos compositores portugueses. Excluindo as décadas mais recentes, só se destacam aqueles de Armando José Fernandes e de Luís de Freitas Branco. Com efeito, a maioria das obras escritas para este formato teve origem na Europa Central, Rússia e Itália. Inclusivamente em França, exceptuando Saint-Saëns, o género não mereceu atenção comparável. Esta circunstância bastaria para valorizar a composição de Freitas Branco aqui focada, mas ela própria tem argumentos que «falam» por si. 

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