Sinfonia N.º 29 de Mozart

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Musicália

Sinfonia N.º 29 de Mozart




Sinfonia N.º 29 de Mozart
Trompa de Postilhão | Gravura de um folheto de 1648 | Fonte: BnF Gallica

À semelhança dos Divertimentos, a Serenata permitia aos compositores da segunda metade do século XVIII reunir um número variável de peças para serem tocadas ao longo de um evento social importante. No caso do KV 320 de W. A. Mozart, sucedem-se 7 números interpretados por uma orquestra que junta às cordas e aos tímpanos numerosos instrumentos de sopro. Entre estes, acha-se a trompa, cujo destaque em determinado momento leva a que se conheça esta obra por Trompa de Postilhão.

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Chorale é uma peça orquestral de Magnus Lindberg que foi composta no mesmo ano do Concerto para Clarinete, em 2002. Ao longo de 6 minutos, proporciona uma experiência de escuta imersiva que, de algum modo, se compara à contemplação de um vidro com textura irregular. Por detrás da sua aparência, reconhece-se a presença do hino que encerra a Cantata BWV 60 de J. S. Bach, ainda que transfigurado.

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Foto de uma ilha do Golfo da Finlândia, Ulko Tammio | Fonte: Wikimedia Commons
 

O Concerto para Clarinete e Orquestra do compositor finlandês Magnus Lindberg foi escrito no verão de 2002. É uma obra que discorre num equilíbrio delicado, entre a extroversão expressiva e a contenção íntima de quem fala consigo próprio. Concilia um estilo fraturante, afim às vanguardas do século XX, e um registo harmonioso pontuado por contornos precisos que prendem a atenção. Assiste o vigor dos gestos e a exaltação rítmica, mas também uma introspeção profunda onde a proeminência melódica se estende sobre manchas orquestrais meticulosamente trabalhadas.

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SINFONIA N.º 29 DE MOZART
 

Tratando-se de música clássica, é por vezes difícil saber «por onde começar». Pois não é descabida esta sugestão: a Sinfonia N.º 29 de Wolfgang Amadeus Mozart. É certo que as últimas três sinfonias do compositor austríaco são bastante mais virtuosas e fulgurantes. Porém, esta que escreveu aos dezoito anos de idade é particularmente convidativa. Sem arrebatamentos expressivos ou cerimónias em excesso, somos todos muito bem-vindos.

 

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    O tema melódico inicial da Sinfonia N.º 29 é surpreendente. Conciso, desde logo nos enche de expectativa através de um desenho que se repete e progride de maneira invulgar. Com aparente simplicidade, os temas entrelaçam-se numa conversação entre as vozes que nunca dá margem à acomodação do ouvinte. O segundo andamento desenvolve-se num registo bucólico de que, para além do belo, transborda serenidade, sem passos em falso. O Minueto consegue ser rústico e espirituoso, simultaneamente. Por fim, o quarto andamento é verdadeiramente exaltante.

 

    No todo, esta sinfonia assinala um momento marcante no percurso criativo de Mozart. Apesar da impressionante precocidade que todos conhecemos, é uma partitura que revela um significativo avanço em termos de maturidade, relativamente às vinte e oito sinfonias anteriores. Para lá da depuração técnica, sobrepõe à disposição de entretenimento uma tensão expressiva que aponta caminho às obras mais extraordinárias do seu catálogo. Tal inflexão leva-nos a refletir sobre o arquétipo de genialidade que surge habitualmente associado à sua figura. É que nem tudo é inato na condição de génio. Também o contexto em que emerge é determinante para que desponte e se revele. De facto, Mozart tinha especial facilidade em aprender com a música de outros compositores que ia escutando. Neste caso, havia regressado a Salzburgo, após uma permanência de dez semanas em Viena, acompanhado de seu pai. Foi aí que ouviu as obras mais recentes de Joseph Haydn, em 1774, quando este já havia ultrapassado os quarenta anos de idade e gozava de grande prestígio. A nova sinfonia denotava essa influência, e a sua importância foi tal que se projetou num período de quatro anos em que, invulgarmente, Mozart não compôs qualquer outra sinfonia.

 

Mozart & Salieri


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Maestro: Pedro Neves

 

W. A. Mozart Sinfonia N.º 29, KV 201/186a

A. Salieri 26 Variações sobre La folia di Spagna

W. A. Mozart Seretana N.º 9, KV 320, Trompa de postilhão

 

Sábado, 12 de maio de 2018, Teatro Thalia

                  
 

LA FOLIA DI SPAGNA

La folia di Spagna é um curto tema melódico que se tem mantido popular desde há cerca de quinhentos anos. Foi pela primeira vez publicado em partitura em 1672, mas a sua existência reporta ao século anterior, porventura com origem em Portugal. Ao longo dos tempos, centenas de compositores compuseram novas obras que se baseiam naquelas notas. É o caso das 26 Variações sobre La folia di Spagna de Antonio Salieri, datadas de 1815.

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Carl Reinecke em 1902 | Fonte: Wikimedia Commons
 

O CONCERTO PARA FLAUTA DE REINECKE

Os três andamentos do Concerto para Flauta e Orquestra de Carl Reinecke discorrem sonoridades que não espelham a azáfama civilizacional da primeira década do século passado. Escutam-se imaginários fantasiosos, plenos de lirismo e afetação galante, como retratos de alguém que habita um mundo alternativo a tudo o que o rodeia. Ainda assim, transparece uma sensação de autenticidade e lucidez inabalável.

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George Gershwin em 1931 | Fonte: Wikimedia Commons
 

UM AMERICANO EM PARIS

Depois de Rhapsody in BlueUm americano em Paris deverá ser a composição mais conhecida de G. Gerswhin. Resultou de uma viagem feita pelo compositor a Paris. Com base nessa experiência, a música inspira-se nas impressões de um cidadão americano imerso na Cidade das Luzes, atento ao som urbano e ao glamour de espaços emblemáticos como os Campos Elísios ou a monumental Torre Eiffel. A partitura atravessa sucessivos humores que vão da nostalgia ao deslumbramento.

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