A Quinta Sinfonia de Schubert

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Musicália

A Quinta Sinfonia de Schubert




A Quinta Sinfonia de Schubert
Estátua de L. v. Beethoven colocada da Praça Beethoven em Viena | Escultura de Caspar von Zumbusch (1880) | Escultura de Carl Kundmann 1(872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
O Triplo Concerto é considerado por muitos como o «patinho feito» dos concertos de Beethoven, razão pela qual não é dos mais tocados. Na verdade, é uma obra repleta de subtilezas, sem a grandiosidade de outras que o músico alemão assinou pela mesma altura, mas que evidencia a força e a ambição próprias do seu estilo naquele período. É, para todos o efeitos, uma inquestionável demonstração da mestria por parte do compositor de Bona.

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Béla Bartók em 1927 | Fonte: Wikimedia commons
 
Béla Bartók passou o verão de 1931 numa localidade austríaca próximo do lago Mondsee, onde foi convidado para ensinar num curso de verão frequentado por jovens músicos austríacos e norte-americanos. Imerso na tranquilidade daquelas paisagens, dedicou as horas vagas à orquestração de várias peças suas para piano que coincidiam na apropriação de ritmos e melodias da música tradicional do seu país. As Imagens Húngaras convidam-nos, deste modo, a fazer uma curta viagem por terras magiares.

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Frédéric Chopin tocando no salão dos Radziwiłłs em 1829 (pintura de Henryk Siemiradzki, 1887) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os concertos para piano de Chopin sempre gozaram de grande popularidade. Mas também têm sido objeto de críticas depreciativas. Sobretudo, estas opiniões focam aspetos relacionados com a construção formal e com a orquestração. Alheiam-se, todavia, de algo essencial: o impacto da vertente performativa como conteúdo estético. Chopin nunca quis escrever sinfonias. Quis, porventura, exibir a sua genialidade, mas sobretudo afetar intensamente o ouvinte com a sua presença. Nesse sentido, foi um verdadeiro mestre da Sedução.

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Estátua de F. Schubert no Parque da Cidade de Viena | Escultura de Carl Kundmann (1872) | Fonte: Wikimedia Commons
 
A QUINTA SINFONIA DE SCHUBERT
 
No contexto da produção sinfónica de Franz Schubert, e em comparação com a Sinfonia N.º 4 (a «Trágica»), a N.º 5 poderá parecer um passo dado atrás. Num entendimento evolucionista da História da Arte é contranatura investir em formatos instituídos pelo passado quando já se vislumbram tendências futuras. Mas a questão não se colocava para o jovem Schubert em 1816, em particular diante do fascínio que sentia pela música de Mozart. Composta aos dezanove anos de idade, a Quinta Sinfonia revela simultaneamente a disciplina e a irreverência de um talento singular.
 
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    No dia 13 de junho de 1816, Franz Schubert escreveu assim no diário: «Recordarei este dia para o resto da minha vida como um dia brilhante, cristalino e adorável. Delicadamente, como se estivesse ao longe, a magia da música de Mozart soou nos meus ouvidos. Foi tal o equilíbrio entre força e suavidade, tal o poder magistral com que Schlesinger tocou, que a música me impressionou profundamente, no fundo do coração! Deste modo, essas doces impressões, trespassando as nossas almas, atuam benevolamente no mais íntimo do nosso ser, o que em momento algum, sejam quais forem as circunstâncias, poderá ser contrariado. Na escuridão desta vida, elas mostram-nos uma nítida e terna distância onde recolhemos confiança e esperança. Mozart! Mozart imortal! Quantas e quantas imagens de um mundo melhor e mais radioso gravaste nas nossas almas!»

 

    Este testemunho refere-se, em particular, a um quinteto de cordas do compositor de Salzburgo, mas depreende-se das suas palavras que a admiração de Schubert tinha um alcance bastante mais amplo. O episódio a que se refere separa a Sinfonia N.º 4, completada no mês de abril anterior, da Sinfonia N.º 5, escrita em setembro e outubro. Adivinha-se, portanto, a razão que explica a diferença de registos entre as duas obras. De forma salutar, o jovem Schubert procurava apropriar-se dos modelos consolidados pelos mestres. Assim, se à primeira é possível associar a animosidade de Beethoven, a influência de Mozart torna-se evidente na segunda. Para o comprovar, basta comparar o tema melódico do terceiro andamento da Sinfonia N.º 40 de Mozart com o início do 3.º andamento da N.º 5 de Schubert.

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa

Direção Musical: Adrian Brendel *

 

F. Schubert Sinfonia N.º 5, D. 485

 

Sábado, 10 de novembro de 2018, Teatro Thalia

 

* Membro do DSCH-Schostakovich Ensemble, Agrupamento Associado da Temporada 2018/19

 
Adão e Eva | Pintura a óleo de Peter Paul Rubens (ca. 1597/1600) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Adagietto do compositor polaco Krzysztof Penderecki emancipou-se da ópera Paraíso Perdido logo a após a estreia, em 1978. No contexto original, preenche o momento de comoção e beleza que se interpõe entre o êxtase de Eva, que se deixa tentar pelo fruto da Árvore do Conhecimento, e o triste lamento de Adão. São apenas cinco minutos de música que se comparam a páginas tão célebres como o Adagio de Samuel Barber ou o Adagietto da Sinfonia N.º 5 de Gustav Mahler.

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Emmanuel Chabrier em 1880. Pintura a óleo de Edouard Manet | Fonte: Wikimedia commons
 
Suíte Pastoral de Emmanuel Chabrier resulta da orquestração de peças para piano que o compositor e pianista francês completou em 1880. Do conjunto das Dez peças pitorescas, escolheu IdylleDanse VillageoiseSous Bois e Scherzo-Valse. São quatro miniaturas musicais, um turbilhão de sonoridades cristalinas, ambientes rústicos, entrelaçados tímbricos difusos de pendor impressionista que contrastam com ritmos exuberantes.

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«Batalha de Hanau» (30-31 de outubro de 1813) | Pintura de Horace Vernet datada de 1824 | Fonte: Wikimedia commons
 
A Sétima Sinfonia de Beethoven foi estreada na mesma ocasião da Sinfonia Batalha, um concerto de beneficência em favor dos combatentes austríacos que defrontaram as tropas de Napoleão Bonaparte na Batalha de Hanau. De acordo com o espírito da cerimónia, três dos quatro andamentos têm um caráter esfuziante. Paradoxalmente, são os compassos dolentes do andamento lento que lhe são hoje mais conhecidos.

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