A Sinfonia N.º 9 de Schubert?

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Musicália

A Sinfonia N.º 9 de Schubert?




A Sinfonia N.º 9 de Schubert?
Edward Elgar em 1919 | Desenho de William Rothenstein | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1957, escrevia-se na reputada revista Music and Letters que a música de Edward Elgar estava «um pouco fora de moda». Celebrava-se então o centenário do nascimento do compositor inglês. Deste então, essa avaliação perdeu o sentido. Hoje, as suas duas sinfonias, a oratória O sonho de Gerontius, o estudo sinfónico Falstaff e os concertos para violino, são obras de referência no repertório orquestral. Junta-se-lhes ainda o Concerto para Violoncelo, uma composição que neste ano de 2019 celebra, também ela, o seu centenário.

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Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons


A SINFONIA N.º 9 DE SCHUBERT?

 

O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

 

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    Existe, ainda hoje, alguma controvérsia em torno da numeração das sinfonias de Schubert. É muito comum ver-se apresentada a sinfonia «A Grande» como N.º 9. Mas tudo depende dos critérios adotados nos diferentes catálogos. No século XIX, Mendelssohn e Brahms indicavam-na como N.º 7, sendo o número 8 reservado para a «Incompleta» – lembremo-nos que Brahms participou numa edição completa das sinfonias de Schubert. No universo anglo-saxónico, a N.º 7 veio a ser mais tarde uma sinfonia que o maestro Felix Weingartner reconstruiu em 1934 a partir de alguns esboços datados de 1821. Já em 1951 o musicólogo Otto Erich Deutsch editou um novo catálogo, no qual a «Incompleta» aparece indicada como N.º 7 e «A Grande» como N.º 8. Por tudo isto, o mais seguro é chamar-lhe assim mesmo: «A Grande». Até porque, coincidindo a sua tonalidade de Dó Maior com a da 6.ª Sinfonia («A Pequena»), é conveniente essa diferenciação.

 

 

Orquestra Académica Metropolitana

Maestro: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

F. Schubert Sinfonia N.º 9, D. 944, A Grande

 

Sexta-feira, 24 de maio de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa 

 

Domingo, 26 de maio de 2019, Teatro-Cine de Torres Vedras [Temporada Darcos]

 


 

 

 

 
      

Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim, numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

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Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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