«A Grande» Sinfonia de Schubert

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Musicália

«A Grande» Sinfonia de Schubert




«A Grande» Sinfonia de Schubert
Carta de Schubert datada de março de 1824 em que escreveu que se preparava para compor uma grande sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 
O historial da numeração das sinfonias de Schubert é confuso. Em parte, isso resulta da circunstância de terem sido publicadas postumamente e de haver manuscritos que permaneceram inacabados. A sinfonia «A Grande», que mais frequentemente é acompanhada pelo número 9, também aparece, por vezes, indicada com os números 7, 8 e até 10.

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Fotografia Tchaikovsky em Odessa em Janeiro de 1893 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Piotr Ilitch Tchaikovsky dirigiu a estreia da Sinfonia N.º 6 no final de outubro de 1893, em São Petersburgo. Morreu nove dias mais tarde, de maneira inesperada, o que contribuiu para as inúmeras alusões extramusicais que surgiram em torno da obra. Tanto mais porque o próprio compositor admitiu a existência de um conteúdo programático subjacente, muito embora nunca o tenha revelado.

Seria redutor, no entanto, resumi-la a um aceno de despedida por parte de um grande músico que pressentiu a morte, e mais ainda, a uma narrativa musical baseada em angústia criativa ou vivências pessoais sofridas.

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Silhueta de Robert Schumann 
 
A Sinfonia N.º 2 de Robert Schumann foi durante muito tempo subestimada, no seio do repertório orquestral. Por entre opiniões favoráveis, outras houve que lhe apontaram incoerências formais no primeiro e último andamentos. Com efeito, as expectativas moldadas na tradição clássica não facilitavam a sua aceitação, pois o modo peculiar como Schumann encadeava as ideias desafiava paradigmas. A sua música exige uma escuta liberta de preconceitos, atenta em cada instante a detalhes expressivos que espelham a vida de um artista que compunha como quem escreve um romance, mas sem palavras.

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Franz Schubert em 1821 Desenho de Kupelwieser Leopold | Fonte: BnF Gallica


«A GRANDE» SINFONIA DE SCHUBERT
 

No primeiro dia de 1839 Robert Schumann visitou por cortesia a casa do irmão de Franz Schubert, em Viena – o compositor austríaco tinha morrido havia mais de dez anos. Poucos dias mais tarde escreveu assim numa carta dirigida à Breitkopf & Härtel, uma editora sediada em Leipzig: «… Vi com estupefação os tesouros que ele guarda. Encontram-se lá… quatro ou cinco sinfonias…». Uma delas era a Sinfonia em Dó Maior, a mesma que ficou mais tarde conhecida como «A Grande».

 

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    Schubert começou a compor «A Grande» sinfonia no verão de 1825. Tê-la-á concluído no ano seguinte, muito embora tivesse introduzido posteriormente várias alterações. Em finais de 1826 recebeu algum apoio financeiro da Sociedade de Amigos da Música de Viena, mas não foi o suficiente. A partitura chegou a ser lida num ensaio, mas a sua dificuldade e a longa duração travaram o propósito. Mais tarde, acrescentou no manuscrito a data de março de 1828, na expectativa de uma estreia eminente, que todavia também não aconteceu. Schubert morreu oito meses mais tarde, sem nunca a ouvir tocada por uma orquestra.

 

    No que respeita à música orquestral, este foi o seu projeto mais ambicioso. Por isso, «Grande» é um adjetivo que lhe assenta particularmente bem. Tendo em consideração que a fama de Schubert se deveu durante muito tempo às suas pequenas canções intimistas – centenas de maravilhosos lieder, entenda-se – surpreende pela extensão, força e sumptuosidade. No início as trompas anunciam com solenidade o que se segue. Mas essa imponência dilui-se progressivamente nas madeiras e no contraponto das cordas. Junta-se depois um segundo tema contrastante, pleno de vivacidade, o qual irá estar presente ao longo de toda a obra, contribuindo para a sua unidade. Começa então uma deslumbrante demonstração de técnica orquestral e criatividade musical. No segundo andamento escuta-se uma melodia fugada e enérgica. Já no Scherzo, não se reconhece a ideia de brincadeira que associamos ao termo. É, inclusivamente, o andamento mais longo desta sinfonia, à semelhança do que havia feito Beethoven, nas suas últimas sinfonias. No Finale revela-se uma personalidade arrebatadora. É o esplendor do ritmo e dos contrastes dinâmicos.

 

    «A Grande» sinfonia de Schubert é fruto da ideia de que a conceção da obra artística resulta de uma urgência, de uma «necessidade criativa» arrebatadora, de uma incontornável ânsia por realizar. Comparativamente às canções, não seria fácil para Schubert compor uma sinfonia. Sente-se o esforço, a vontade, a inevitabilidade… e o talento para o fazer.

 

 

Orquestra Académica Metropolitana

Maestro: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO

 

F. Schubert Sinfonia N.º 9, D. 944, A Grande

 

Sexta-feira, 24 de maio de 2019, Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa 

 

Domingo, 26 de maio de 2019, Teatro-Cine de Torres Vedras [Temporada Darcos]

 


 

 

 

 
      
Edward Elgar em 1919 | Desenho de William Rothenstein | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1957, escrevia-se na reputada revista Music and Letters que a música de Edward Elgar estava «um pouco fora de moda». Celebrava-se então o centenário do nascimento do compositor inglês. Deste então, essa avaliação perdeu o sentido. Hoje, as suas duas sinfonias, a oratória O sonho de Gerontius, o estudo sinfónico Falstaff e os concertos para violino, são obras de referência no repertório orquestral. Junta-se-lhes ainda o Concerto para Violoncelo, uma composição que neste ano de 2019 celebra, também ela, o seu centenário.

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Sergei Rachmaninov em 1901 | Fonte: Wikimedia Commons

 

O Concerto para Piano N.º 2 de Rachmaninov depara-nos com um dos maiores mistérios da Arte dos Sons. Como é que a Música consegue induzir sentimentos no ouvinte? Que mensagem é essa que se transmite de maneira tão convincente, mas cujo conteúdo não podemos objetivamente decifrar? Apesar de não haver respostas consensuais para estas perguntas, há adjetivos que ecoam sempre em torno desta obra. Fala-se de ambientes sombrios, nostalgia, ansiedade e paixão ardente… de uma teatralização profunda da comoção romântica.

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A cidade de Veneza cerca de 1750 | Pintura de Francesco Guardi (1712–1793) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Nas primeiras décadas do século XVIII, a cidade de Veneza era referência da moda e das artes. Era visitada pelos seus monumentos, teatros e casas de jogo. O turismo era uma atividade económica em expansão, e a música uma das principais atrações. Nesta vertente, para lá das óperas e das celebrações religiosas da Basílica de São Marcos, seria «obrigatória» uma passagem pela pequena igreja do Ospedale della Pietà, onde Antonio Vivaldi se dava a conhecer. Os seus concertos para dois solistas e orquestra permitem imaginar o aparato sonoro e cénico daqueles eventos.

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