A Quinta Sinfonia de Tchaikovsky

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Musicália

A Quinta Sinfonia de Tchaikovsky




A Quinta Sinfonia de Tchaikovsky
Dmitri Schostakovich em 1941 no telhado do Conservatório de Leningrado | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando em 1941 a União Soviética se viu diretamente envolvida na Segunda Grande Guerra, D. Schostakovich encontrava-se em São Petersburgo, então Leningrado. No momento em que as tropas nazis chegaram às portas da cidade, o compositor apresentou-se às autoridades para juntar o seu contributo à defesa da nação. A propaganda do regime optou por transformar a sua figura num símbolo de bravura e resistência, mas também de união entre os países aliados. Não se estranhe, por isso, que durante o conflito, e para lá da composição das 7.ª e 8.ª sinfonias, tenha também orquestrado as Oito Canções Tradicionais Inglesas e Americanas.

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Dvořák com a sua família cerca de 1891 | Fonte: Website da Rádio Praga
 
A Abertura de Concerto Op. 91 de Antonín Dvořák é um curto poema sinfónico de inspiração bucólica que traduz o imenso fascínio que o compositor tinha pelo mundo natural. Foi composta em 1891 diante da deslumbrante paisagem da região de Kokořínsko, situada meia centena de quilómetros a norte de Praga. Muito além da representação de uma paisagem, esta obra era parte de uma reflexão espiritual focada em três elementos essenciais da condição humana: a Natureza, a Vida e o Amor. Por fim, cada um dos painéis do tríptico seguiu rumo próprio. Este primeiro acabaria por intitular-se No Reino da Natureza.

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Retrato de W. A. Mozart em 1777 | Autoria anónima  | Fonte: Wikimedia Commons
 
O Concerto para Oboé e Orquestra em Dó Maior é o único concerto que W. A. Mozart dedicou a este instrumento. Mas é também uma obra incontornável no repertório dos oboístas. Composto no verão de 1777, explora exaustivamente os recursos sonoros que então se tornaram possíveis graças às inovações introduzidas pelos luthiers. Durante mais de um século pensou-se que a partitura estaria perdida, até que em 1920 foi descoberto em Salzburgo um manuscrito revelador. Afinal, o célebre Concerto para Flauta N.º 2 KV 314 era resultado de uma transcrição daquela «misteriosa» obra.

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Piotr Ilitch Tchaikovsky em 1888 | Fonte: Wikimedia Commons


A QUINTA SINFONIA DE TCHAIKOVSKY

 

A maior parte das críticas feitas à música de Tchaikovsky centra-se na organização estrutural das obras. Apontam um pensamento musical focado numa sucessão de episódios que se precipitam em clímaxes expressivos sem maturação prévia e desenvolvimento das ideias substanciais. Com efeito, as qualidades que melhor distinguem o compositor russo são a beleza das melodias e o brilhantismo das orquestrações. Assim acontece na Sinfonia N.º 5. Porém, a coerência formal da sua construção é, também ela, determinante. Para o comprovar, basta relacionar o ânimo dolente do tema inicial com o registo expansivo dessa mesma melodia quando reaparece no último andamento.
 
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    Entre poemas orquestrais e bailados, Tchaikovsky compôs ao longo da carreira inúmeras obras baseadas em temáticas extramusicais. Porém, tratando-se de sinfonias os motivos de inspiração tinham de assumir uma natureza mais discreta. Pretendia-se aí uma escrita sobretudo atenta à exposição e desenvolvimento dos conteúdos musicais, em si mesmos, e assente numa disposição técnica e formal herdada dos clássicos. De caráter introvertido, o compositor achava assim oportunidade para expressar sentimentos mais íntimos sem ter de os assumir publicamente. Problemas de natureza pessoal e profissional eram de certa maneira expurgados por intermédio da música, configurando enredos subliminares que nunca conheceremos na plenitude, muito embora a sua correspondência desvele algumas pistas. Já na Sinfonia N.º 4 havia evocado uma metáfora da existência humana, no seu confronto com o destino. No caso da Sinfonia N.º 5 a abordagem é um pouco mais pessimista: a inescrutável predestinação da Providência.

 

    Para concretizar a ideia, Tchaikovsky recorreu aos convencionais quatro andamentos do formato sinfonia e interligou-os através de uma melodia unificadora, uma Idée fixe que se apresenta desde início no registo grave do clarinete. Esta melodia, que representa supostamente a ideia de destino, intervém em todos os andamentos. Surge primeiro num ambiente velado mas, tal como num jogo de máscaras, reaparece sucessivamente transformada. Em simultâneo, desenrolam-se os contrastes expressivos e a exuberância orquestral próprios da música de Tchaikovsky. Acumula-se tensão dramática num dualismo deliberado, ora lúgubre, como no início, ora espirituoso, como acontece no terceiro andamento em torno de uma valsa, e até épico, no Finale.

 

Orquestra Académica Metropolitana
Direção Musical: Jean-Marc Burfin e/ou Alunos do Curso de Direção de Orquestra da ANSO
 

Sábado, 13 de outubro de 2018, Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal

 

Piotr Ilitch Tchaikovsky – Sinfonia N.º 5 em Mi Menor, Op. 64 (1888)

    I. Andante - Allegro con anima
    II. Andante cantabile con alcuna licenza
    III. Valse: Allegro moderato
    IV. Finale: Andante maestoso - Allegro vivace

 

 
      
Tchaikovsky em 1890 no jardim de Frolovskoe, onde compôs a Quinta Sinfonia | Fonte: Wikimedia Commons
 

A PAUTA EM BRANCO

A síndrome da página em branco não é exclusiva da criação literária. Também acontece na música, como o comprova a biografia de Tchaikovsky. Apesar de ser então um dos compositores mais prestigiados a nível internacional, quando na primavera de 1888 iniciou a composição da Quinta Sinfonia sentia-se dominado pela angústia e pela incerteza. Em cartas que dirigiu nesse período ao irmão e à mecenas Nadezhda von Meck assumiu que se lançava ao desafio de compôr uma nova sinfonia com o propósito de provar a si mesmo que a criatividade não se lhe havia esgotado.

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Salgueiro-Chorão, Pintura de Claude Monet (1918) | Fonte: Wikimedia Commons
 
As associações entre Música e Natureza podem ser muito diversas. Dependem dos propósitos da criação artística, dos hábitos de escuta, do próprio posicionamento que cada um assume diante do mundo natural. Em geral, quando se estabelece uma relação entre a Música e qualquer elemento que lhe seja exterior, ela torna-se pretexto para questionar a existência. Antonín Dvořák aventurou-se nesse exercício entre abril e julho de 1891, quando compôs três poemas sinfónicos baseados em elementos fundamentais da condição humana. O primeiro incide, precisamente, sobre a Natureza e, passados tantos anos, ainda nos convida a pensar.

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Etiqueta do disco da primeira gravação comercializada de Rhapsody in Blue (1924) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Rapsódia Americana, foi este o título provisório de Rhapsody in Blue, a obra concertante para piano e orquestra que em 1924 abriu novos caminhos à carreira de George Gershwin e, bem mais importante, também à música estadunidense. Numa época em que o Novo Mundo buscava uma identidade cultural própria, à semelhança do que ocorreu por toda a Europa, o Jazz impôs-se como a mais genuína expressão musical, alastrando-se às rádios, aos discos e às salas de concerto clássicas. Em forma de Rapsódia, e por entre a azáfama dos teatros da Broadway, Gershwin compôs este precioso «caleidoscópio musical da América».

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