Sinfonia Do Novo Mundo

facebook Instagram Youtube

Musicália

Sinfonia Do Novo Mundo




Sinfonia Do Novo Mundo
Lago nos jardins do Palácio Real de Aranjuez | Fonte: Wikimedia Commons
 
Esta é a obra mais emblemática do catálogo de Joaquín Rodrigo. Muita embora o compositor nos tenha deixado mais de uma centena e meia de títulos, foi esta a partitura que o deu a conhecer ao mundo e que tanto contribuiu para que lhe esteja reservado um lugar indiscutível no panteão dos grandes compositores do século XX.

saber mais



Uma Harmonie | Gravura de 1752 | Fonte: Europeana Collections
 
Numa altura em que as cordas já se haviam consolidado na prática musical de conjunto, os instrumentos de sopro sofreram ao longo do século XVIII uma evolução que seria determinante para o repertório orquestral. Para tal, muito contribuíram as Harmonie, pequenos agrupamentos de sopros que se tornaram moda a partir das décadas de 1760 e 1770 – também noutras paragens, mas sobretudo em Viena.

saber mais



Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

saber mais

 
 
 

Antonín Dvořák cerca de 1882 | Fonte: Wikimedia Commons


SINFONIA DO NOVO MUNDO

 

Quando Antonín Dvořák foi viver para Nova Iorque, em 1892, pairava a expectativa de aparecimento de um idioma musical genuinamente americano. Paradoxalmente, o Nacionalismo, enquanto tendência estética que procurava fundamento nos umbigos das diferentes nações, era o movimento artístico mais internacional na derradeira década do século XIX. Só assim se explica que tenha sido possível a um músico imerso na cultura da Boémia – o coração da Europa Central – participar na construção de um paradigma musical para o «Novo Mundo».

 
 **
 

    Quando o compositor checo foi convidado pela fundadora do Conservatório Nacional de Música de Nova Iorque, Jeanette Thurber, para deixar a velha Europa e assumir a direção daquela instituição, tinha cinquenta e um anos de idade e já era uma figura altamente reputada. Partilhava com muitos outros compositores da sua geração o entendimento de que a composição musical deveria ser confluente com a cultura que a rodeava. Este era um desígnio que então ditava moda e assumia-se, inclusivamente, como princípio de legitimação da produção artística. E nem a circunstância de se achar inserido numa sociedade distante impediu Dvořák de prosseguir por esse mesmo caminho. Poucas semanas depois de desembarcar começou a escrever aquela que seria a sua nona sinfonia. Terminou-a no mês de maio do ano seguinte, muito embora tivesse introduzido sucessivas alterações até à data da estreia, que teve lugar em dezembro de 1893 no Carnegie Hall, com o maestro Anton Seidl à frente da Orquestra da Sociedade Filarmónica de Nova Iorque.

 

    A partitura está repleta de melodias autóctones, algumas baseadas em canções escutadas por Dvořák junto de alunos seus, outras inspiradas em referências idealizadas em torno das culturas dos negros e dos índios americanos. São, por isso, recorrentes as escalas pentatónicas e os ritmos sincopados. Ainda assim, tudo o resto – a orquestração, a harmonia, o contraponto...– é, como não poderia deixar de ser, música europeia, na sua essência. Ao longo dos quatro andamentos apresenta um tema melódico que unifica toda a sinfonia, estabelecendo um estrutura cíclica bastante própria da segunda metade do século XIX. As nove notas que são anunciadas pelas trompas, quase de início, ressurgem espaçadamente enquanto elemento agregador. Juntam-se-lhe várias outras melodias que reconhecemos de imediato, tal é a popularidade de que goza hoje em dia esta sinfonia. É uma obra plena de entusiasmo pelo «Novo Mundo», mas que não abdica das referências do passado. É música desperta para uma nova forma de estar, mas que não esquece a tradição centenária de onde provém.

 

 

 

Antonín Dvořák – Sinfonia N.º 9 em Mi Menor, Op. 95, Do Novo Mundo

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Pedro Amaral

 

Sábado, 28 de setembro de 2019, Coliseu Porto Ageas

 
Retrato de Beethoven quando jovem | Carl Traugott Riedel (1769–1832) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O DISCÍPULO BEETHOVEN

Ludwig van Beethoven conheceu Joseph Haydn em 1790, quando este passou por Bona, a caminho da primeira digressão a Londres. Voltaram a encontrar-se no verão de 1792, na segunda visita do jovem músico a Viena. Nesta ocasião, teve a oportunidade de estudar com o mestre, durante um curto período de tempo. Mostrou-lhe então algumas composições. Entre elas, achava-se o Octeto em Mi Bemol Maior, cuja partitura trouxera consigo de Bona, mas que reviu substancialmente para o efeito.

saber mais



Viena em 1781 | Pintura de Carl Schütz (1745–1800) | Fonte: Wikimedia Commons
 

SERENATAS E CARTÕES DE VISITA

Em 1781 e 1782, W. A. Mozart escreveu três Serenatas para instrumentos de sopro que se tornaram referência nesta classe de repertório. Na sua perspetiva seriam, todavia, cartões de visita para se dar a conhecer nos salões da aristocracia vienense. Explicam-se, portanto, os cuidados que investiu nestas partituras. A Serenata KV 388 foi composta no verão de 1782. São quatro andamentos de disposição relativamente séria, mais próximos de uma Sinfonia em pequena escala do que de um Divertimento.

saber mais