Sinfonia Do Novo Mundo

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Musicália

Sinfonia Do Novo Mundo




Sinfonia Do Novo Mundo
Capa da 1.ª Edição da Segunda Sinfonia de J. Brahms (1878) | Fonte: IMSLP
 
A Segunda Sinfonia de Brahms é bastante mais discreta do que a Primeira. Requer, por isso, um atenção especial. Em muita música alemã da segunda metade do século XIX sente-se a nostalgia provocada por um modelo de criação artística que se esgotava. Em Brahms, todavia, não se vislumbra qualquer laivo de decadência. A destreza técnica e a sobriedade expressiva que se reconhecem neste seu Op. 73 ajudam a explicá-lo. Brahms não ansiava por um lugar na História. Ele interpretava o seu lugar na História. Encarava a Tradição com uma atitude construtiva, sempre buscando novos caminhos e soluções.

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Franz Joseph Haydn | Gravura de Francesco Bartolozzi datada de 1791 | Fonte: BnF Gallica
 

UM VERDADEIRO ACHADO

Em 1961 fez-se uma descoberta extraordinária no Museu Nacional de Praga. Tratava-se da partitura manuscrita do primeiro Concerto para Violoncelo e Orquestra de Joseph Haydn, um obra que permanecera duzentos anos silenciada. Espalhou-se a notícia, e não tardaram as gravações dos mais prestigiados violoncelistas, tais como Jacqueline du Pré ou Mstislav Rostropovich, entre tantos outros. Hoje em dia, é uma obra que se impõe nas programações das salas de concertos de todo o mundo, sempre com a aparente naturalidade do primeiro dia em que foi tocada.

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Antonín Dvořák cerca de 1882 | Fonte: Wikimedia Commons


SINFONIA DO NOVO MUNDO

 

Quando Antonín Dvořák foi viver para Nova Iorque, em 1892, pairava a expectativa de aparecimento de um idioma musical genuinamente americano. Paradoxalmente, o Nacionalismo, enquanto tendência estética que procurava fundamento nos umbigos das diferentes nações, era o movimento artístico mais internacional na derradeira década do século XIX. Só assim se explica que tenha sido possível a um músico imerso na cultura da Boémia – o coração da Europa Central – participar na construção de um paradigma musical para o «Novo Mundo».

 
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    Quando o compositor checo foi convidado pela fundadora do Conservatório Nacional de Música de Nova Iorque, Jeanette Thurber, para deixar a velha Europa e assumir a direção daquela instituição, tinha cinquenta e um anos de idade e já era uma figura altamente reputada. Partilhava com muitos outros compositores da sua geração o entendimento de que a composição musical deveria ser confluente com a cultura que a rodeava. Este era um desígnio que então ditava moda e assumia-se, inclusivamente, como princípio de legitimação da produção artística. E nem a circunstância de se achar inserido numa sociedade distante impediu Dvořák de prosseguir por esse mesmo caminho. Poucas semanas depois de desembarcar começou a escrever aquela que seria a sua nona sinfonia. Terminou-a no mês de maio do ano seguinte, muito embora tivesse introduzido sucessivas alterações até à data da estreia, que teve lugar em dezembro de 1893 no Carnegie Hall, com o maestro Anton Seidl à frente da Orquestra da Sociedade Filarmónica de Nova Iorque.

 

    A partitura está repleta de melodias autóctones, algumas baseadas em canções escutadas por Dvořák junto de alunos seus, outras inspiradas em referências idealizadas em torno das culturas dos negros e dos índios americanos. São, por isso, recorrentes as escalas pentatónicas e os ritmos sincopados. Ainda assim, tudo o resto – a orquestração, a harmonia, o contraponto...– é, como não poderia deixar de ser, música europeia, na sua essência. Ao longo dos quatro andamentos apresenta um tema melódico que unifica toda a sinfonia, estabelecendo um estrutura cíclica bastante própria da segunda metade do século XIX. As nove notas que são anunciadas pelas trompas, quase de início, ressurgem espaçadamente enquanto elemento agregador. Juntam-se-lhe várias outras melodias que reconhecemos de imediato, tal é a popularidade de que goza hoje em dia esta sinfonia. É uma obra plena de entusiasmo pelo «Novo Mundo», mas que não abdica das referências do passado. É música desperta para uma nova forma de estar, mas que não esquece a tradição centenária de onde provém.

 

 

 

Antonín Dvořák – Sinfonia N.º 9 em Mi Menor, Op. 95, Do Novo Mundo

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Pedro Amaral

 

Quarta-feira, 3 de julho de 2019, Quinta Alegre, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

 

Sexta-feira, 12 de julho de 2019, Biblioteca Nacional de Portugal

 
 
Olivier Messiaen em 1986 | Fonte: Wikimedia Commo
 
As obras musicais Hommage à Messiaen e Modos de Expressão Ilimitada, respetivamente assinadas por Vasco Pearce de Azevedo e Eurico Carrapatoso, coincidem nalguns aspetos. Ambas estão escritas para orquestra de cordas e prestam tributo a Olivier Messiaen (1908-1992), uma figura pioneira que, de maneira audaz, soube fecundar a criação musical com inspirações improváveis, integrando-as na sua própria linguagem. Os dois compositores portugueses escrevem sobre isso, na primeira pessoa.

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Fonte: www.pxhere.com
 
Licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, Bruno Gabirro completou o Mestrado em 2008 na Royal Academy of Music. Foi durante este último período de formação, passado em Londres, que recebeu a encomenda para compor uma obra destinada ao ensemble de cordas Royal Academy Soloists. Nasceu assim a obra Rebel (Chaos), prontamente distinguida com o Premio Eric Coates para Composição.

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