Ária na Corda Sol

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Musicália

Ária na Corda Sol


Suíte Orquestral N.º 3, BWV 1068



Ária na Corda Sol

W. A. Mozart em 1789 | Desenho de Doris Stock | Fonte: Wikimedia Commons

 

Wolfgang Amadeus Mozart compôs quarenta e uma sinfonias. As últimas três foram escritas em Viena no verão de 1788, num período de tempo considerado tremendamente curto, face à qualidade artística e à importância histórica que lhes é hoje reconhecida. Cada uma delas tem uma identidade própria, sendo a N.º 39 a mais discreta. Talvez por isso seja a menos conhecida do grande público. Ainda assim, e apesar de não ostentar a mesma liberalidade expressiva, está longe de se resumir à condição de prólogo numa trilogia prodigiosa.

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Dmitri Schostakovich em 1976 | Pintura de Tahir Salahov | Fonte: WIkiart
 
Há dois episódios que ilustram bem a tensão que sempre existiu entre Dmitri Schostakovich e o regime soviético. O primeiro remonta a 1936, quando uma récita da ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, assistida por Josef Estaline, resultou numa crítica feroz publicada no jornal Pravda. O segundo foi a acusação do Congresso Nacional de Compositores que, em 1948, denunciou a sua música como formalista e adversa aos desígnios da Revolução. A Sinfonia N.º 10 foi composta em 1953, logo após a morte do «Grande Líder», pelo que foi sempre associada a esse acontecimento. Porém, mais recentemente, soube-se que a composição do 3.º andamento poderá ter sido inspirada na paixão por uma mulher. Multiplicam-se, deste modo, os enigmas que povoam o legado do músico russo.

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Gravação da Ária da Suíte N.º 3 publicada no Canal Youtube pelo agrupamento Voices of Music
 
ÁRIA NA CORDA SOL

Na Suíte Orquestral N.º 3 de Johann Sebastian Bach (BWV 1068) predominam as sonoridades opulentas que todos associamos aos estilo barroco francês. Destaca-se, no entanto, a serena beleza do segundo andamento que, num registo contrastante, tornou-se numa das páginas mais célebres do compositor. É a «Ária na Corda Sol».
 
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    Quando em 1830 o poeta J. W. von Goethe ouviu F. Mendelssohn tocar ao piano a abertura da Suíte Orquestral N.º 3 de J. S. Bach, terá comentado que conseguia através dela visualizar um cortejo de pessoas elegantemente vestidas descendo uma enorme escadaria. Em verdade, não é difícil aceitar tal sugestão, pois é música cujo caráter nos permite recordar outras obras do mesmo período e com equivalente vocação celebrativa, tais como a Música para os Reais Fogos de Artifício de Händel. Os ritmos sincopados e a orquestração maciça, características das aberturas francesas, prestam-se formidavelmente a este efeito.

    Mas em contraste com o estilo francês da abertura e restantes danças que compõem esta suíte, destaca-se o intenso lirismo do segundo andamento, o qual foi durante muito tempo tocado autonomamente graças a uma adaptação para violino e piano realizada por August Wilhelmj em 1871. É desde então conhecida como a «Ária na Corda Sol», designação que faz referência à corda mais grave do violino, a qual serviu de referência para a transposição realizada.

 
Orquestra Metropolitana de Lisboa
V
iolino e Direção Musical: Enrico Onofri

Johann Sebastian Bach Suíte Orquestral N.º 3, BWV 1068
 
 

Domingo, 31 de março de 2019, Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo, Sesimbra
   

 

 
      
Antonio Vivaldi | Desenho de Pier Leone (1723) | Fonte BnF Gallica
 
Antonio Vivaldi assinou mais de cinquenta composições para orquestra de cordas, com quatro partes instrumentais, sem solista. Por vezes aparecem designadas como Sinfonias, outras como Concerto ripieno, e até como Concerti a quattro. São, afinal, Concertos ou Sinfonias? Na primeira metade do século XVIII as sinfonias tendiam a ser tecnicamente menos complexas, assemelhando-se às aberturas de ópera. É disso exemplo a Sinfonia em Dó Maior RV 112, composta cerca de 1720.

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Pormenor da pintura «O baloiço», de Jean-Honoré Fragonard (1767) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como a música, também as palavras se transformam no tempo. Por isso, quando se trata de ouvir aqueles concertos que Antonio Vivaldi reuniu no seu Op. 4, é importante termos presente que o termo «extravagância», deste modo reportado às primeiras décadas do século XVIII, não tinha a significação que lhe conhecemos hoje. São doze concertos para violino e orquestra reunidos numa publicação intitulada «La Stravaganza» e que surpreendem pelos contrastes abruptos entre melodias afáveis e momentos de virtuosismo desenfreado.

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