As Quatro Estações

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Musicália

As Quatro Estações


«As quatro estações» de Vivaldi baseiam-se em sonetos que descrevem as estações do ano.



CANÇÃO
 
 
Uma Harmonie | Gravura de 1752 | Fonte: Europeana Collections
 
Numa altura em que as cordas já se haviam consolidado na prática musical de conjunto, os instrumentos de sopro sofreram ao longo do século XVIII uma evolução que seria determinante para o repertório orquestral. Para tal, muito contribuíram as Harmonie, pequenos agrupamentos de sopros que se tornaram moda a partir das décadas de 1760 e 1770 – também noutras paragens, mas sobretudo em Viena.

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Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

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Lago nos jardins do Palácio Real de Aranjuez | Fonte: Wikimedia Commons
 
Esta é a obra mais emblemática do catálogo de Joaquín Rodrigo. Muita embora o compositor nos tenha deixado mais de uma centena e meia de títulos, foi esta a partitura que o deu a conhecer ao mundo e que tanto contribuiu para que lhe esteja reservado um lugar indiscutível no panteão dos grandes compositores do século XX.

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Antonín Dvořák cerca de 1882 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Antonín Dvořák foi viver para Nova Iorque, em 1892, pairava a expectativa de aparecimento de um idioma musical genuinamente americano. Paradoxalmente, o Nacionalismo, enquanto tendência estética que procurava fundamento nos umbigos das diferentes nações, era o movimento artístico mais internacional na derradeira década do século XIX. Só assim se explica que tenha sido possível a um músico imerso na cultura da Boémia – o coração da Europa Central – participar na construção de um paradigma musical para o «Novo Mundo».

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Veneza no início do século XVIII | Pintura de Luca Carlevarijs | Fonte: Wikimedia Commons

 
AS QUATRO ESTAÇÕES

Os quatro concertos para violino de Antonio Vivaldi conhecidos como As Quatro Estações, inspiram-se nos diferentes cenários que a natureza oferece ao longo do ano. Mais concretamente, baseiam-se em quatro sonetos acerca de experiências de vida que contam já quase três séculos, mas que (por enquanto) continuamos a reconhecer.
 
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    Quando Vivaldi fez publicar as partituras destes concertos, em 1725, fez questão de lhes juntar os quatro sonetos em que se inspirou, e cuja autoria se desconhece. Assim, é como se a música ilustrasse uma narrativa poética.

    A Primavera evoca o cantar alegre das aves, o murmúrio dos riachos, os prados floridos, a saborosa sesta dos animais e, sempre, muita festa. O Verão lembra o raiar intenso do sol, a prostração do pastor e do rebanho, o cantar dos pássaros, o prenúncio de uma tempestade, os trovões e os relâmpagos, o zumbido dos insetos e a desolação sentida diante das culturas destruídas. Já o Outono, reporta à generosidade das colheitas, aos excessos do consumo de vinho, às festas populares e aos rituais da caça. Por fim, o Inverno, com o tremor do frio, a inquietação dos ventos, o conforto da lareira, a chuva lá fora, o caminhar lento e hesitante sobre a neve, toda a imponência dos rigores da estação.
 
Concerto para Violino em Mi Maior, Op. 8/1, RV 269, Primavera
 
I. Allegro
Os pássaros celebram a sua chegada com canções festivas
e riachos murmurantes são docemente afagados pela brisa
Relâmpagos, esses que anunciam a Primavera,
rugem, projectando o seu negro manto no céu,
para depois se desfazerem em silêncio
e os pássaros mais uma vez retomam as suas encantadoras canções.

II. Largo e pianissimo sempre
No prado cheio de flores com ramos cheios de folhas
os rebanhos de cabras dormem e o fiel cão do pastor dorme a seu lado.

III. Danza pastorale: Allegro
Levados pelo som festivo de rústicas gaitas de foles,
ninfas e pastores dançam levemente sobre a brilhante festa da Primavera.

 
Concerto para Violino em Sol Menor, Op. 8/2, RV 315, Verão

I. Allegro non moto
Sobre uma estação dura
de um sol escaldante o homem descansa,
descansa o rebanho e queima o pinheiro
Ouvimos a voz do cuco;
ouvem-se então as canções doces da pomba
Doces aragens agitam o ar ...
Mas os ventos ameaçadores de norte subitamente aparecem
o pastor treme temendo a violenta tempestade e o seu destino.

II. Adagio - Presto
O medo dos relâmpagos e ferozes trovões
roubam o descanso aos seus membros cansados
As moscas voam zumbindo furiosamente

III. Presto
Infelizmente os seus receios estavam justificados
os trovões rugem e majestosamente cortam o milho e estragam o grão.


Concerto para Violino em Fá Maior, Op. 8/3, RV 293, Outono

I. Allegro
O camponês celebra com canções e danças
a felicidade de uma boa colheita.
Instigado pelo licor de Bacus,
muitos acabam a festa dormindo.

II. Adagio molto
Todos esquecem as suas preocupações e cantam e dançam
O ar está temperado com prazer e
pela estação que convida tantos, tantos
a saírem do seu recobro para participarem e se divertirem.

III. Allegro
Os caçadores aparecem com a madrugada
com trompetes e cães e espingardas começando a sua caçada
A caça foge e eles seguem o seu rasto
Aterrorizada e cansada de tanto ruído
de espingardas e cães, a caça, ferida, morre.


Concerto para Violino em Fá Menor, Op. 8/4, RV 297, Inverno

I. Allegro non molto
Tremendo de frio, no meio de cortantes ventos
os dentes tremem de frio.

II. Largo
Descansa contente na sala
enquanto os que estão fora são atingidos pela chuva que não para.

III. Allegro
Andamos com cuidado no caminho gelado com medo de escorregar e cair
depois voltamos abruptamente e com cuidado, mas caímos no chão e
atravessamos o gelo enquanto não se quebra
voltamos a sentir o cortante vento norte apesar das portas fechadas
isto é o inverno que não obstante tem as suas delícias.
 

 
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Violino e Direção Musical: Ana Pereira

Antonio Vivaldi – As Quatro Estações

Concerto para Violino em Mi Maior, Op. 8/1, RV 269, Primavera
Concerto para Violino em Sol Menor, Op. 8/2, RV 315, Verão
Concerto para Violino em Fá Maior, Op. 8/3, RV 293, Outono
Concerto para Violino em Fá Menor, Op. 8/4, RV 297, Inverno
 
 
Retrato de Beethoven quando jovem | Carl Traugott Riedel (1769–1832) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O DISCÍPULO BEETHOVEN

Ludwig van Beethoven conheceu Joseph Haydn em 1790, quando este passou por Bona, a caminho da primeira digressão a Londres. Voltaram a encontrar-se no verão de 1792, na segunda visita do jovem músico a Viena. Nesta ocasião, teve a oportunidade de estudar com o mestre, durante um curto período de tempo. Mostrou-lhe então algumas composições. Entre elas, achava-se o Octeto em Mi Bemol Maior, cuja partitura trouxera consigo de Bona, mas que reviu substancialmente para o efeito.

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Viena em 1781 | Pintura de Carl Schütz (1745–1800) | Fonte: Wikimedia Commons
 

SERENATAS E CARTÕES DE VISITA

Em 1781 e 1782, W. A. Mozart escreveu três Serenatas para instrumentos de sopro que se tornaram referência nesta classe de repertório. Na sua perspetiva seriam, todavia, cartões de visita para se dar a conhecer nos salões da aristocracia vienense. Explicam-se, portanto, os cuidados que investiu nestas partituras. A Serenata KV 388 foi composta no verão de 1782. São quatro andamentos de disposição relativamente séria, mais próximos de uma Sinfonia em pequena escala do que de um Divertimento.

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Palácio das Tulherias em 1757 | Pintura de Nicolas-Jean-Baptiste Raguenet | Fonte: Wikimedia Commons
 
Catorze anos passados, Wolfgang Amadeus Mozart regressou a Paris, em março de 1778. Nessa época, havia no grandioso Palácio das Tulherias duas salas de concertos. Numa delas, a Sala dos Cem Suíços, tinham lugar os concertos da lendária agremiação «Le Concert Spirituel». Foi aí que estreou a sinfonia que ficou conhecida pelo nome da cidade. Escutando-a, nem por sombras se adivinha as adversidades que o músico enfrentava na sua vida pessoal. Era imperativo «contentar» a plateia. Assim aconteceu, e sempre com música de excelência.

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Mapa de bolso da cidade de Londres (1795) | Fonte: Wikimedia Commons
 

Joseph Haydn compôs doze sinfonias que foram estreadas em Londres. Foi, todavia, a N.º 104 que ficou explicitamente conhecida pelo nome da cidade, em virtude de opções editoriais que aludem inscrições na partitura dos sons urbanos que envolviam o King’s Theatre naquela primavera de 1795. Foi a derradeira sinfonia do músico austríaco. Curiosamente, fora também em Londres que W. A. Mozart compusera, aos oito anos de idade, a sua primeira sinfonia, em 1764. 

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O violoncelista Wilhelm Fitzenhagen (1848-1890) | Fonte: Wikimedia Commons
 
A admiração que Piotr Ilitch Tchaikovsky tinha pela música do passado, em particular do século XVIII, é notória em várias obras que nos deixou. São os casos de alguns excertos da ópera A Rainha de Espadas ou da Suíte Mozartiana. Já anteriormente, em 1877, havia ensaiado exercício semelhante nas Variações sobre um Tema Rococó, uma composição para violoncelo e orquestra que se revelou pioneira do Neoclassicismo.

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