A Quarta de Mahler

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Musicália

A Quarta de Mahler


A Quarta Sinfonia anuncia o período de maturidade de Gustav Mahler



A Quarta de Mahler

 
A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Ilustração de uma cena do 4.º ato de Macbeth | Pintura de Henry Fuseli (1793) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Na segunda metade da carreira, Richard Strauss viu a sua reputação ser associada a um romantismo ultrapassado e decadente. Mas antes disso, tinha-se distinguido com um estilo de escrita orquestral vigoroso e dilacerante, inspirado em compositores como Wagner e Liszt, nos domínios da Ópera e do Poema Sinfónico. Neste último género, Macbeth foi ponto de partida. Composto entre 1886 e 1888, pode entender-se como manifesto de emancipação relativamente à tradição mais conservadora do século XIX.

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O pesadelo | Pintura de Johann Heinrich Füssli, 1781 | Fonte: Wikimedia Commons
 
No âmbito das artes, a racionalidade e ponderação do Iluminismo setecentista foi subitamente perturbada pelo movimento estético que se denominou «Sturm und Drang». O individualismo, a inquietação, as emoções, a dúvida, a ambiguidade, a liberdade… A expressão destas ideias por intermédio da música revelou-se como um desafio fascinante para várias gerações de músicos, começando por Johann Christian, Haydn e Mozart. Foi percursora da afetação romântica do século seguinte.

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Mahler em 1898 / Fonte:Wikimedia Commons

 
A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.
 
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    A Quarta Sinfonia foi composta nos verões de 1889 e 1900, quando se assistiu a uma grande mudança no estilo de composição de Gustav Mahler. A canção «celestial» que se ouve no quarto andamento culminou um período em que os poemas «Des Knaben Wunderhorn» («A trompa mágica do rapaz») ocuparam uma posição dominante no seu imaginário criativo. Não se pode, portanto, dissociá-la das sinfonias anteriores. Distingue-se, porém. Desde logo, porque é uma partitura que não revela as referências programáticas em que se baseia. Pelo contrário, inclina-se para uma postura afim à ideia do «puramente musical», o que se pode comprovar na maior sofisticação das texturas tímbricas, na alternância entre momentos protagonizados pelo maciço orquestral com outros em que prevalecem sonoridades próximas da música de câmara. As combinações instrumentais são menos lineares do que acontecia nas sinfonias anteriores. Anuncia-se deste modo o período de maturidade do compositor.

 

    Os três primeiros andamentos correspondem ao formato de uma sinfonia de matriz clássica: o primeiro desenvolve-se em Forma Sonata, o segundo consiste num Scherzo e o terceiro num Adagio. Cumprem-se assim com reverência os fundamentos da tradição musical austríaca, a que não será alheia a circunstância de Mahler ter assumido pouco tempo antes o lugar de Diretor Musical da Ópera de Viena e, com vista a atenuar o impacto das correntes antissemitas que floresciam, renunciar ao judaísmo, convertendo-se à religião católica. Ainda assim, surgem desde o primeiro compasso indícios que contrariam a expetativa de ser uma sinfonia clássica. É certo que a dimensão do efetivo orquestral é mais reduzida e que a coerência temática entre os diferentes andamentos é irrepreensível. Mas a vincada propensão intimista e um tratamento invulgar dos temas melódicos conduzem-nos por caminhos diferentes.

 

    Em verdade, Mahler inverteu o princípio genérico segundo o qual no formato sinfonia se apresentam primeiro os temas melódicos fundadores, para depois os transformar e desenvolver rumo a um final conclusivo, por vezes apoteótico. Em vez disso, tomou como ponto de partida uma canção que havia composto em 1892. «Das himmlische Leben» («A vida celestial») só se revela integralmente no último andamento e toda a música que a precede baseia-se em fragmentos dela retirados. Esta e outras soluções compositivas parecem evitar a grandiosidade das anteriores sinfonias, o que em boa medida justifica a relutância do público e da crítica da época na sua aceitação. Desde novembro de 1901, quando estreou na cidade de Munique, a Quarta Sinfonia enfrentou os caprichos da História, conquistando nas últimas décadas lugar de destaque nas programações das salas de concertos em todo o mundo.

 

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Solista: Alexandra Bernardo (soprano)
Maestro: Reinaldo Guerreiro

 

Gustav Mahler Sinfonia N.º 4

 

Sexta-feira, 15 de março de 2018, Teatro Aveirense

Sábado, 16 de março de 2018, Teatro Thalia

Domingo, 17 de março de 2018, Teatro Thalia

                  
A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»

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Pôr-do-sol | Fonte: www.pxhere.com
 
Richard Strauss compôs mais de duzentas. Ao fim das «Quatro Últimas Canções» conseguiu um silêncio e uma serenidade de encher o peito. Foi em 1948, aos 84 anos de idade, que completou este breve ciclo temático onde enfrentou com despudor o assunto da Morte, evocando-a na sua expressão mais sublime, como estágio da existência propício a uma reflexão contemplativa sobre a própria Vida. A entoação dolente da voz soprano deseja com ardor o retorno da primavera. Projeta a fadiga e o descanso na descrição de um jardim outonal. Mergulha num sono eterno e livre, diante de um céu que escurece. Diz adeus às cotovias e ao perfume do ar, numa paz profunda e tranquila.

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Fagote do Século XVIII / Museu da Música de Barcelona | Fonte: Wikimedia Commons
 
Os estilos musicais habitam mundividências que lhes são próprias. Identificam formas de ser e pensar. Participam na partilha comum e na dimensão introspetiva individual. Uma vez arrancados da sua origem, reinventam-se na relação com novas formas de existência. É por isso que, hoje em dia, escutar lado a lado dois concertos para fagote, separados por escassas quatro décadas no século XVIII e pelos nomes de Antonio Vivaldi e Johann Christian Bach, não é bastante para viajar no tempo. Ainda assim, permite provar um pouco do que distinguia os artifícios do barroco veneziano, conotados com os Antigos Regimes, e a «nova» simplicidade centro-europeia, de inspiração iluminista.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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