Uma Sinfonia de Cor Azul

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Musicália

Uma Sinfonia de Cor Azul


Mahler dizia que a sua 4.ª Sinfonia tem cor azul



Uma Sinfonia de Cor Azul
A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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Mahler em 1898 / Fonte:Wikimedia Commons
 

A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.

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A realizadora Teresa Villaverde
 
O novo filme de Teresa Villaverde resulta de um raro desafio: o de produzir uma obra cinematográfica para ser projetada em simultâneo com a interpretação ao vivo de Six Portraits of Pain, de António Pinho Vargas. Apresenta-se assim reinventada uma das obras mais conhecidas do compositor português. Estreada em 2005, a partitura percorre uma reflexão em torno da melancolia e da angústia no processo de criação artística.

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UMA SINFONIA DE COR AZUL

A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»
 
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   Natalie Bauer-Lechner e Gustav Mahler foram colegas, enquanto estudantes no Conservatório de Viena, na década de 1870. Após o divórcio de Natalie, em 1890, e até se consumar a relação do compositor com Alma Schindler no final de 1901, a amizade entre os dois deu azo a uma intensa troca de correspondência. Porque coincidiu com o período em que a Sinfonia N.º 4 foi composta, acham-se nessas cartas algumas ideias que nos são hoje preciosas para entendermos os pretextos criativos que estiveram na sua origem.

    Numa delas, Mahler dizia que a sua sinfonia tem cor azul. Com efeito, no último andamento ouve-se uma canção intitulada «A vida celestial», em que crianças evocam com inocência os encantos da vida angelical que lhes é oferecida no céu. Os primeiros três andamentos da sinfonia desenvolvem-se em função desses últimos dez minutos de música, abrindo-lhes caminho diligentemente.

    A Quarta Sinfonia demonstra um maior apuramento das texturas tímbricas do que as sinfonias anteriores. Assume uma postura mais intimista e requintes orquestrais de maior subtileza. É aquela que exige menos recursos orquestrais, aproximando-se frequentemente de sonoridades próprias da música de câmara, com partes instrumentais tocando a solo.

Mahler escreveu assim:

«Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra, que só por uma vez se torna nebulosa e provoca inquietação. Mas não é o céu, em si mesmo, que escurece, pois nele brilha eternamente a cor azul. Acontece que, de repente, nos parece sinistro, tal como se num dia com tempo maravilhoso, numa floresta inundada pela luz do sol, fossemos sucessivamente tomados por tremores de pânico, pelo pavor.»
 

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Solista: Alexandra Bernardo (soprano)
Maestro: Reinaldo Guerreiro

 

Gustav Mahler Sinfonia N.º 4

 

Sexta-feira, 15 de março de 2018, Teatro Aveirense

Sábado, 16 de março de 2018, Teatro Thalia

                  

O compositor Beat Furrer | Foto de David Furrer (2014)

 
As ideias apresentam-se muitas vezes por intermédio do recurso às imagens. Uma vez aí chegados, essa abstração visual pode transcender a uma dimensão sonora absolutamente indizível. Parece ter sido esse passo além que Beat Furrer, compositor suíço radicado na Áustria há longos anos, deu na obra intitulada «Nero su Nero» («Preto Sobre Preto»), a qual fez estrear na Konzerthaus de Viena em junho do ano passado. Trata-se de uma partitura orquestral que se aventura por entre as ténues gradações da cor preta, com um estilo de escrita mergulhado em sugestões de movimento difusas, delicado e eminentemente sensorial.

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O compositor António Pinho Vargas e o violoncelista Pavel Gomziakov em dezembro de 2017 no Teatro Thalia |  Foto de Marcelo Albuquerque
 
Six Portraits of Pain, para violoncelo e orquestra, foi estreada em 2005, quando da inauguração da Casa da Música, no Porto. É uma das obras mais elogiadas do extenso catálogo de António Pinho Vargas. Ao longo de quase meia hora, atravessa dimensões sofridas da existência e criatividade humana. Evoca frases de vários escritores e filósofos numa partitura que se oferece às reflexões e ideias do compositor.

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