Serenatas e Cartões de Visita

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Musicália

Serenatas e Cartões de Visita




Serenatas e Cartões de Visita
Uma Harmonie | Gravura de 1752 | Fonte: Europeana Collections
 
Numa altura em que as cordas já se haviam consolidado na prática musical de conjunto, os instrumentos de sopro sofreram ao longo do século XVIII uma evolução que seria determinante para o repertório orquestral. Para tal, muito contribuíram as Harmonie, pequenos agrupamentos de sopros que se tornaram moda a partir das décadas de 1760 e 1770 – também noutras paragens, mas sobretudo em Viena.

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Veneza no início do século XVIII | Pintura de Luca Carlevarijs | Fonte: Wikimedia Commons

 

Os quatro concertos para violino de Antonio Vivaldi conhecidos como As Quatro Estações, inspiram-se nos diferentes cenários que a natureza oferece ao longo do ano. Mais concretamente, baseiam-se em quatro sonetos acerca de experiências de vida que contam já quase três séculos, mas que (por enquanto) continuamos a reconhecer.

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Lago nos jardins do Palácio Real de Aranjuez | Fonte: Wikimedia Commons
 
Esta é a obra mais emblemática do catálogo de Joaquín Rodrigo. Muita embora o compositor nos tenha deixado mais de uma centena e meia de títulos, foi esta a partitura que o deu a conhecer ao mundo e que tanto contribuiu para que lhe esteja reservado um lugar indiscutível no panteão dos grandes compositores do século XX.

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Viena em 1781 | Pintura de Carl Schütz (1745–1800) | Fonte: Wikimedia Commons
 
SERENATAS E CARTÕES DE VISITA
 
Em 1781 e 1782, W. A. Mozart escreveu três Serenatas para instrumentos de sopro que se tornaram referência nesta classe de repertório. Na sua perspetiva seriam, todavia, cartões de visita para se dar a conhecer nos salões da aristocracia vienense. Explicam-se, portanto, os cuidados que investiu nestas partituras. A Serenata KV 388 foi composta no verão de 1782. São quatro andamentos de disposição relativamente séria, mais próximos de uma Sinfonia em pequena escala do que de um Divertimento.
 

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    Quando Wolfgang Amadeus Mozart foi viver para a cidade de Viena, no início da década de 1780, tornou-se frequente cruzar-se com agrupamentos musicais constituídos por instrumentos de sopro. Estes faziam ressoar, para lá das paredes dos teatros, o repertório lírico que, por ser popular, justificava a sua comercialização em transcrições de todo o tipo (por vezes trabalhadas apressadamente). A moda estendia-se aos salões da nobreza, por vezes também com obras originais para aquelas formações. O músico de Salzburgo reconheceu então a oportunidade para conseguir algum proveito, fosse através de adaptações de excertos das suas próprias óperas, como aconteceu com O Rapto do Serralho, ou composições criadas de raiz e dedicadas a potenciais mecenas.

 

    A Serenata em Dó Menor teve origem neste contexto e surpreende pela densidade de escrita, já que de uma Serenata se esperaria alento mais afável, concordante com situações de entretenimento frívolo. Era propósito, todavia, mostrar os seus dotes de compositor nos mais ilustres salões de Viena – muito para lá da criança prodígio, portanto. No caso, trata-se de um octeto que reúne pares de oboés, clarinetes, fagotes e trompas, a instrumentação que coincidia com a Harmonie do Imperador José II. Explicam-se assim os vislumbres dramáticos do primeiro e último andamentos, ou a complexidade contrapontística que se esconde por detrás da aparente candura do Minueto.

 

 

Os Sopros da Metropolitana

 

Sara Dias (oboé), Nuno SilvaJorge Camacho (clarinetes), Lurdes CarneiroRafaela Oliveira (fagotes), Daniel Canas, Jérôme Arnouf (trompas)

Oboé e Direção Musical: Sally Dean

 

W. A. Mozart Serenata N.º 12, em Dó Menor, KV 388

 L. v. Beethoven Octeto em Mi Bemol Maior, Op. 103

 
 
 

   
 

 
      
Retrato de Beethoven quando jovem | Carl Traugott Riedel (1769–1832) | Fonte: Wikimedia Commons
 

O DISCÍPULO BEETHOVEN

Ludwig van Beethoven conheceu Joseph Haydn em 1790, quando este passou por Bona, a caminho da primeira digressão a Londres. Voltaram a encontrar-se no verão de 1792, na segunda visita do jovem músico a Viena. Nesta ocasião, teve a oportunidade de estudar com o mestre, durante um curto período de tempo. Mostrou-lhe então algumas composições. Entre elas, achava-se o Octeto em Mi Bemol Maior, cuja partitura trouxera consigo de Bona, mas que reviu substancialmente para o efeito.

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Orquestra da Corte de Meininger em 1882, maestro Hans von Bülow | Fonte: Wikimedia Commons
 
As sinfonias de Johannes Brahms distinguem-se pela combinação virtuosa de um planeamento formal rigoroso com uma expressividade pungente. Provém daqui um efeito atordoante: rasgos de invenção sublimes que despontam de uma aparência previsível e respeitadora das convenções clássicas. Os primeiros e últimos andamentos denotam um labor criativo muito grande e são os pilares que sustentam as obras. Pelo meio, dispõem-se dois andamentos relativamente mais desprendidos que convidam à apreensão espontânea. Em qualquer dos casos, destaca-se uma extraordinária concisão das ideias. Na quarta (e última) sinfonia este desígnio é particularmente bem conseguido.

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Antonín Dvořák cerca de 1882 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Quando Antonín Dvořák foi viver para Nova Iorque, em 1892, pairava a expectativa de aparecimento de um idioma musical genuinamente americano. Paradoxalmente, o Nacionalismo, enquanto tendência estética que procurava fundamento nos umbigos das diferentes nações, era o movimento artístico mais internacional na derradeira década do século XIX. Só assim se explica que tenha sido possível a um músico imerso na cultura da Boémia – o coração da Europa Central – participar na construção de um paradigma musical para o «Novo Mundo».

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