A Música Sacra de Mozart

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Musicália

A Música Sacra de Mozart




A Música Sacra de Mozart
 
O baile | Pintura de Charles Wilda (1854–1907) | Fonte: Wikimedia Commons
 
As valsas da família Strauss são indissociáveis dos tradicionais Concertos de Ano Novo. Hoje em dia já não se realizam bailes, e as pistas de dança transformaram-se substancialmente. Ainda assim, essa mesma música que encantou os salões europeus do século XIX enfrenta o passar dos tempos e das modas sem grandes abalos, encontrando sempre oportunidade e propósitos renovados. Escuta-se agora em formato de concerto e associada a contextos festivos. A sua extraordinária criatividade rítmica e melódica, assim como a contagiante boa-disposição anímica que a distingue, explicam porque assim acontece.

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O barítono Francisco d'Andrade do papel de Don Giovanni | Pintura de Max Slevogt (1912) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Il dissoluto punito é o título alternativo da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart e traduz-se como «O libertino punido». Trata-se da segunda das colaborações do compositor com o libretista italiano Lorenzo da Ponte – ao lado Le nozze di Figaro e Così fan tutte –, e divide-se em dois atos na narração da história dessa figura lendária da literatura. Apesar da sua conduta pérfida, Don Juan reflete as ambiguidades da condição humana. Enfrenta o Céu e o Inferno com sacrifício da própria vida, mantendo-se fiel aos seus princípios e ideais.

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Primeira página do manuscrito autógrafo d’A Flauta Mágica | Fonte: Omnifacsimile
 
Wolfgang Amadeus Mozart começou a trabalhar na ópera A Flauta Mágica em março de 1791, mas a sua abertura foi a última parte do manuscrito a ser completada. A estreia teve lugar no dia 30 de setembro do mesmo ano, num pequeno teatro dos arredores de Viena, o Theater auf der Wieden. O compositor sobreviveu pouco mais de dois meses àquela data.

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A Praça Principal de Salzburgo em 1776 | Pintura de Carl Schneeweis (1745-1826) | Fonte: Website do Museu de Salzburgo
 
A MÚSICA SACRA DE MOZART
 
Para lá do moteto Ave verum corpus e da missa de Requiem, datadas do final da vida, W. A. Mozart compôs mais dezassete missas, diversos Kyries, ofertórios, litanias, vésperas, motetos e, entre outras, dezassete peças instrumentais para serem tocadas durante o ritual litúrgico, as sonate da chiesa. A maior parte teve origem no período anterior à sua fixação em Viena, em 1781, e, exceptuando a Missa da Coroação, é relativamente pouco conhecida. O conjunto é estilisticamente variado, com influências que se estendem desde o contraponto renascentista até à ópera. Nesta última vertente destaca-se a exploração das potencialidades técnicas e expressivas da voz solista à frente da orquestra.
 
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    Mozart foi educado na fé católica e escreveu largas dezenas de partituras para o culto religioso. A maioria data da primeira metade da sua carreira, quando ainda se encontrava ao serviço do arcebispado de Salzburgo, no contexto dos mosteiros e igrejas locais. Aí, entre cantores e instrumentistas, cruzavam-se largas dezenas de músicos, entre os quais o pai do próprio compositor, Leopold Mozart. Este era, naturalmente, uma das suas referências imediatas no domínio da música sacra, ao lado de figuras como Johann Ernst Eberlin, Michael Haydn e Anton Adlgasser. Para lá destes modelos mais próximos, o fascínio que o jovem compositor tinha pelo universo vocal operático também se traduzia como influência marcante. Isso é  notório no moteto Exsultate, jubilate que compôs aos dezasseis anos de idade em Milão, quando em 1773 aí se deslocou para estrear a ópera Lucia Silla. Nessa terceira viagem que fez a Itália teve a oportunidade de conhecer a voz do castrato Venanzio Rauzzini, para quem escreveu esta obra, cujo final remata com um Aleluia que desafia a robustez técnica de qualquer intérprete. No mesmo sentido, destaca-se aqui outras duas partituras, ambas datadas de 1779. No Laudate Dominum das Vesperae solennes de Dominica ouve-se uma melodia cantabile de efeito virtuosístico igualmente aparatoso, em tudo contrária ao registo expressivo do mais célebre Laudate Dominum das Vesperae solennes de confessore. Já na ária religiosa para soprano e orquestra Kommet her, ihr frechen Sünder, os versos cantados em alemão indiciam que deveria integrar uma oratória de Páscoa. Apelam à devoção do crente pelo amor a Jesus Cristo, enaltecendo o Seu sacrifício pela salvação da Humanidade, na agonia da cruz diante do sofrimento de Maria.

 

    Ainda em Salzburgo, também era hábito tocar-se curtas peças instrumentais durante a celebração da liturgia, entre as leituras das epístolas e do evangelho. Esta prática viria a cair em desuso, pois, conforme determinação do Arcebispo, a duração da missa não poderia ser muito longa. Entre 1772 e 1780 Mozart compôs, todavia, dezassete sonate da chiesa, grande parte das quais com uma ostensiva intervenção do órgão. As últimas três – KV 328, 329 e 336 – foram compostas após a funesta viagem de Mozart a Paris, em 1777, e distinguem-se, precisamente, por terem uma parte de órgão extremamente elaborada. Recorda-nos que, por essa mesma altura, o próprio Mozart desempenhou a função de organista da catedral da cidade.

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Solista: Sara Braga Simões (soprano)
Maestro:
José Eduardo Gomes


W. A. Mozart Kommet her, ihr frechen Sünder, KV 146/KV 317b
W. A. Mozart Laudate Dominum, das Vesperae solennes de Dominica, KV 321
W. A. Mozart Sonata da chiesa, KV 336/KV 336d
W. A. Mozart Exsultate, jubilate, KV 165/KV 158a

 

Sexta-feira, 21 de dezembro de 2018, Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada

 

Sábado, 22 de dezembro de 2018, Refeitório dos Frades (Mosteiro dos Jerónimos)

 

 

 
      
A Praça Principal de Linz em 1821 | Pintura de Robert Batty (1789–1848) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Um dos feitos mais extraordinários da carreira de W. A. Mozart, e seguramente de toda a História da Música, foi a composição das suas últimas três sinfonias em apenas três meses, no verão de 1788. Antes disso, havia composto a Sinfonia Praga, no final de 1786, e a Sinfonia Linz, em 1783. Menos conhecida, esta última também esconde proezas notáveis. Para lá de ter sido composta em escassos quatro dias, pode ser entendida como «pé de apoio» na projeção daquelas que lhe seguiram.

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Apesar de ter sido composta por Tchaikovsky há já mais de um século, só desde há cinquenta anos a música do bailado O Quebra-Nozes se tornou verdadeiramente conhecida do grande público, em boa medida graças à concisão e popularidade da Suíte Orquestral Op. 71a. As oito curtas peças desta suíte são recorrentemente utilizadas pelos criativos da publicidade e, sobretudo, tornaram-se presença obrigatória na paisagem sonora natalícia, fenómeno a que não é alheio o enredo do espetáculo estreado no Teatro Mariinsky, em 1891.

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Nikolai Rimsky-Korsakov em 1898 | Pintura de Valentin Serov (1865–1911) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em 1909, Rimsky-Korsakov referiu-se nos seguintes termos ao Capricho Espanhol que havia composto duas décadas antes: «A opinião da crítica e do público que defende que o Capricho é uma peça magnificamente orquestrada, está errada. O Capricho é uma brilhante composição para orquestra. A alternância de timbres, a escolha feliz de melodias e padrões rítmicos que se ajustam a cada instrumento de forma precisa, as breves cadências virtuosísticas para os instrumentos a solo, os ritmos da percussão, etc., é isso que determina a essência desta composição – não é a sua “roupagem”, i.e. a orquestração».

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