Pulcinella de Stravinsky

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Musicália

Pulcinella de Stravinsky




Pulcinella de Stravinsky
 Igor Stravinsky | Desenho de Pablo Picasso datado de 1917 | Fonte: BnF Gallica
 

As Danças Concertantes foram escrita no início dos anos 1940, em Hollywood. São distantes, portanto, da música que o jovem Stravinsky compôs em Paris para os Ballets Russes, tais como O Pássaro de Fogo ou A Sagração da Primavera. Juntas no formato de uma suíte instrumental barroca, não terão sido escritas com o intuito específico de serem dançadas. Ainda assim, o coreógrafo George Balanchine levou-as à cena ainda durante a Segunda Grande Guerra, em Nova Iorque, com antigos elementos da companhia de Diaghilev.



«Atributos da Música» | Pintura de Anne Vallayer Coster, ca. 1770 | Fonte: Wikimedia Commons
 

Tratando-se de música, a palavra francesa «Suite» abre-nos as portas de salões palacianos do período barroco. Na sua tradução significa «Sequência», e designa, precisamente, uma sequência de peças instrumentais relativamente curtas e reunidas num todo coerente. Em finais do século XVII e na primeira metade do século XVIII tornou-se numa moda que invadiu as cortes da Europa Central.

 
 
 
 

  

 «Pulcinella tocando guitarra» | Gravura de Jacques Callot (1592-1635) | Fonte: BnF Gallica


PULCINELLA DE STRAVINSKY

 

O bailado em um ato Pulcinella foi estreado na Ópera de Paris em 1920, com cenários de Pablo Picasso e coreografia de Léonide Massine. A parte musical, da autoria de Igor de Stravinsky, popularizou-se através da suíte orquestral que o compositor russo fez publicar dois anos mais tarde, excluindo as partes cantadas que integravam a versão original.
 
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     O enredo do bailado Pulcinella tem como protagonista a adaptação napolitana da célebre personagem masculina da Commedia dell’arte Arlequim, figura-tipo de carácter burlesco, corcunda, com uma grande barriga, de nariz recurvado. Tudo acontece em torno das caricatas aventuras amorosas desse homem do povo, simultaneamente mandrião e cheio de astúcia.

 

    A partitura traduziu-se num momento charneira da carreira de Stravinsky, por ter revelado o seu fascínio pela música do passado. Daí em diante, passou a enquadrar grande parte das suas criações no âmbito de uma estética neoclássica, como acontece neste caso. Na origem da obra estiveram, pretensamente, partituras assinadas pelo compositor italiano do período barroco Giovanni Battista Pergolesi. Com efeito, na versão final, somente as partes vocais do bailado mantiveram essa influência, para lá de algumas linhas melódicas das secções instrumentais, ainda que com menor evidência. Toda a orquestração foi, portanto, «reinventada». O resultado foi uma obra destituída da proeminência rítmica patente nas colaborações do compositor com os Ballets Russes. Ainda se reconhece, todavia, a identidade do «primeiro» Stravinsky.

 

 

Orquestra Metropolitana de Lisboa
Solista: Nuno Inácio (flauta)
Maestro: Pedro Neves

 

Sexta-feira, 26 de maio de 2016, Centro de Congressos do Arade (FIMA)

Sábado, 27 de maio de 2016, Teatro Thalia

 

I. Stravinsky Danças Concertantes
S. Azevedo Giochi di uccelli, Concerto para Flauta e Orquestra (estreia absoluta)
I. Stravinsky Suíte do bailado Pulcinella

 
 

 
      
 O compositor Sérgio Azevedo | Créditos da fotografia: Jornal Público
 

GIOCHI DI UCCELLI

«Giochi di Uccelli» traduz-se como «Jogos de Pássaros» e é título do Concerto para Flauta e Orquestra que Sérgio Azevedo faz agora estrear no âmbito da Temporada da Metropolitana. A primeira sugestão aponta de imediato para a expectativa de reconhecermos na parte solista o característico canto das aves. Isso acontece, por instantes. Porém, como o compositor explica no texto de apresentação da obra, é sobretudo pretexto para diferentes voos criativos. Destacam-se ainda duas dedicatórias na partitura: Nuno Inácio, 1.º Flautista da OML, e Carlos de Pontes Leça, o programador musical e musicólogo falecido há pouco mais de um ano.


Carl Philipp Emanuel Bach ca. de 1780 | Pintura de Johann Philipp Bach | Fonte: Wikimedia Commons

 

CARL PHILIPP EMANUEL BACH

Quando vemos associado o nome de Bach ao violoncelo, logo nos vêm à ideia as seis Suítes para Violoncelo Solo BWV 1007-1012, de Johann Sebastian. Poderá, no entanto, surpreender a qualidade dos três concertos para violoncelo que seu segundo filho compôs entre 1750 e 1753. É bem sabido que Carl Philipp Emanuel Bach protagonizou a evolução estilística que abriu caminho aos grandes clássicos. Mas já é tempo de enaltecer as obras, por si mesmas, para lá da reverência histórica. Poucas vezes tocado, o Concerto para Violoncelo em Lá Menor é uma partitura que temos de conhecer.